Rumo ao crescimento
O Brasil segue rumo ao crescimento. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) supreendeu ao baixar em 1,5% a Selic, taxa básica de juros da economia. A queda, embora maior do que a prevista, já era aguardada desde a divulgação da última ata do Copom, em outubro. Na ocasião, o Banco Central indicou que ainda haveria grande espaço para corte dos juros.
A contínua desaceleração da inflação permitiu que a taxa chegasse a 17,5%, o que dará forte impulso à retomada do crescimento. É preciso agora recuperar a economia. Do contrário, o Governo Lula corre o risco de perder a sustentação política. Mas, pelo andar da carruagem, isso dificilmente ocorrerá.
A maioria dos indicadores aponta para a retomada do crescimento econômico. Além disso, quase R$ 32 bilhões serão injetados na economia até dezembro. Esse montante equivale a quase 2,5% do Produto Interno Bruto brasileiro. Representa basicamente o pagamento do 13º salário e reajustes de grandes categorias profissionais, como os bancários e os metalúrgicos.
A economia começou a mostrar sinais de melhora em setembro, com a volta do crescimento da atividade industrial. Embora os níveis de emprego ainda continuem frágeis e o consumo tenha voltado a crescer só agora, há grandes expectativas para dezembro.
Os críticos da queda nos juros podem afirmar que a inflação acelerou em agosto e setembro. Mas eles se esquecem, ou não querem ver, que ela foi pressionada por fatores pontuais, como a entressafra de alimentos e preços administrados.
A previsão é de que a inflação de 2004 fique abaixo da meta oficial de 5,5%. Por isso, não se justifica manter a política monetária tão apertada nos próximos meses. No curto prazo, não há nenhuma previsão de repique inflacionário.
Ao chegar aos 17,5%, a taxa Selic ainda é muito similar à praticada em meados de outubro de 2002, quando estava em 18%. Foi a partir dali que o Banco Central deu início a um ciclo de forte arrocho monetário, elevando os juros em 3%. Muito me alegra ver que a situação começa a voltar à normalidade.
Falta apenas a reunião do Copom de dezembro para comprovarmos que a fase de arrocho terminou. O Governo vem agindo de forma prudente. Foi duro quando necessário. Agora, é hora de afrouxar a política econômica. 2004 vem aí. E, com ele, o crescimento.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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