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Comentarista: Gabriel Aidar Abouchar
A evolução da engenharia industrial brasileira

Ao longo dos últimos 50 anos, a engenharia industrial brasileira vem respondendo à altura a todos os desafios técnicos da prestação de serviços para a implantação de empreendimentos industriais, e a participação da Petrobras foi fundamental para que se atingisse esse resultado.

Essa história teve início antes da criação da estatal do petróleo, em 1947, quando da nomeação do engenheiro Carlos Eduardo Paes como representante do Conselho Nacional do Petróleo (CNP) em Nova York para acompanhar o projeto de implantação da refinaria de Mataripe, na Bahia. Começava ali um processo de transferência de tecnologia, com a criação de uma interface com os principais fabricantes estrangeiros de equipamentos e materiais necessários para um projeto dessa envergadura. A equipe de Paes Barreto realizou com sucesso um dos maiores desafios da história da engenharia industrial brasileira, pelo ineditismo da obra, que exigia obediência a rígidos padrões de dimensões, tolerâncias e distâncias, além de processos de soldagem, na ocasião complicados e de alto risco. Para se ter idéia das dificuldades, o Brasil não dispunha na época de companhias que pudessem fornecer guindastes fixos ou móveis para cargas maiores: um único guindaste para 90 toneladas foi usado durante a obra.

Com esses problemas, a primeira refinaria moderna de petróleo do Brasil levou 42 meses para ser construída, entre março de 1947 e setembro de 1950. Só a construção civil e a montagem levaram 26 meses. Devido à capacitação adquirida, a construção das refinarias de Cubatão, Capuava e Manguinhos, estas duas últimas sob responsabilidade da iniciativa privada, foram mais simples e ficaram prontas no final de 1954, ano da criação da Petrobras, que incorporou as refinarias de Mataripe e Cubatão.

O sólido apoio da estatal às empresas nacionais de engenharia e do setor industrial permitiu que elas buscassem sempre a melhor tecnologia, que foi assim se transformando em patrimônio do nosso País. Até pequenas instalações fabris foram usadas pela empresa para confeccionar peças e materiais componentes de gigantescos e sofisticados equipamentos industriais importados, numa clara demonstração da habilidade e do valor do operário brasileiro.

A Petrobras transformou-se, então, em importante mola propulsora da engenharia e do parque industrial brasileiro, dando origem à maior parte de nossas grandes empresas e indústrias do setor de serviços de engenharia e de fabricação de bens de capital. Estimuladas pelo mercado oferecido pelo setor de petróleo, as empresas desenvolveram-se também em outros setores, como petroquímico, energia elétrica, cimento, siderurgia e metalurgia.

Neste período surgiram empresas como Setal, Montreal, Tenenge, Ultratec, Sertep, A. Araújo, Confab, Jaraguá, CBV, Cobrasma, Confab e Nordon. Multinacionais do segmento, como Techint e Sade e Chicago Bridge foram estimuladas a virem para o Brasil.

O Governo Federal, por meio do Primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), teve papel significativo nesse processo ao consolidar importantes segmentos da indústria nacional e da infra-estrutura, gerando empregos para um contingente expressivo de engenheiros e outros profissionais ligados às atividades de engenharia, consultoria e indústria de bens de capital.

No final da década de 70 surge mais um grande desafio: a exploração de petróleo em águas profundas, com as significativas reservas descobertas na Bacia de Campos. As empresas responderam à altura e com competência a mais essa solicitação da Petrobras.

Nem tudo, entretanto, foram flores. A partir dos anos 80, a recessão que se seguiu por praticamente 15 anos castigou impiedosamente a engenharia e a indústria nacional. O efetivo das empresas foi reduzido em 60% entre 1981 e 1993 e, muitas delas, tradicionais e de elevada competência, sucumbiram, comprometendo o patrimônio e a capacitação tecnológica duramente conquistados. Paradoxalmente, nesse período de escassez de investimentos a Petrobras adotou uma política concorrencial única e exclusivamente via preços, contribuindo para o agravamento da crise.

Apesar disso, a criação do Segen em 1971 permitiu o desenvolvimento de uma ampla base tecnológica voltada ao setor. Refinarias, plataformas fixas e flutuantes, terminais marítimos, dutos marítimos e terrestres e tecnologia offshore para águas profundas elevaram a engenharia brasileira a níveis de Primeiro Mundo.

Hoje há uma volta do otimismo no setor, gerada pelo anúncio da Petrobras de investir US$ 32 bilhões até 2007 com a filosofia de privilegiar o direcionamento das contratações para empresas nacionais. Em contrapartida, engenharia e indústria de base vivem os reflexos negativos de uma redução significativa dos investimentos em outros segmentos, uma taxa de juros incompatível para o setor e baixas margens praticadas numa atividade que se caracteriza por uma necessidade de capital de giro intensivo e de alto risco.

Resta torcer para que ajustes implementados neste início de Governo surtam o efeito desejado e o crescimento econômico possa propiciar desempenho compatível com a necessidade de geração de empregos, a cada ano mais significativa.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente da Setal Construções e Diretor de Petróleo, Petroquímica e Gás da ABEMI – Associação Brasileira de Engenharia Industrial  
e-mail do autor: gabriel.abouchar@setal.com.br
 
 

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