Um país que vai amadurecendo
O crescimento da economia está bem encomendado. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) acertou, mais uma vez, ao cortar a taxa básica de juros em 1% na reunião deste mês.
Ao fixar a Selic em 19% ao ano, o Banco Central (BC) opta por promover a queda gradativa dos juros, facilitando a construção de um crescimento sem choques, sem gargalos, sustentável. E o crescimento precisa realmente ser sustentável, diferentemente do que ocorria em nosso passado recente quando o esquema era: “cresce um pouquinho, pára um pouquinho”.
Se a autoridade monetária permanecesse praticando quedas fortes de taxas, como nos quatro últimos meses, poderia haver uma desorganização dos agentes econômicos nesse final de ano. Creio que os cortes anteriores e um maior conservadorismo este mês foram na dose certa. Afinal, ninguém deseja a volta da inflação.
A queda de juro promovida pelo governo Lula já chega a 7,5% este ano. A Selic baixou de 26,5% ao ano em fevereiro para 19% este mês.
Além de diminuir o custo da captação do dinheiro, os cortes reduzem os gastos do governo. Os números são animadores. O Tesouro Nacional divulgou que, se a taxa for mantida nesse nível, a economia será de R$ 3,5 bilhões no ano.
Após meses de estagnação, o País finalmente volta a respirar. O espetáculo do crescimento, prometido por Lula, pode demorar um pouco ainda. Mas, pelo menos, a retomada do crescimento já começou.
Parabéns a Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central, e a Antônio Palocci, Ministro da Fazenda. A política econômica praticada pela dupla vem sendo muito consistente. O resultado é esse: inflação sob controle, indicadores macroeconômicos satisfatórios e um país que vai amadurecendo para crescer.
Até o fim deste ano, a taxa básica de juros deverá chegar a 17%. Até o fim do ano que vem, quem sabe a 14% ou mesmo 13%? O importante é que a crise foi vencida e o ano de 2004 marcará o início da virada.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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