Crescimento sim, mas sem inflação
Recebi, com cautela, o corte de 2% nos juros básicos da economia. Quedas fortes na Selic, como essa e a que ocorreu no mês passado, são bastante interessantes para o setor produtivo. Disso, ninguém duvida. Contudo, existe um forte risco de desestruturação da economia.
A explicação é simples: a indústria não se preparou para atender a um forte aumento da demanda. A maturação dos investimentos não é tão rápida e, as empresas, de modo geral, não estão estocadas o suficiente. Ou seja, se houver uma grande reativação do consumo, até o fim do ano, o resultado pode ser um aumento de preços. É a chamada inflação de demanda. Seria mais prudente que o BC promovesse cortes de 1% até o final do ano.
O Banco Central dispõe, no entanto, de todos os dados macroeconômicos e, até o momento, vem conduzindo com maestria a política econômica. Vamos aguardar a divulgação da ata do Copom. Só assim poderemos avaliar com mais profundidade a queda da Selic.
A economia já dá sinais de recuperação e, com quedas sucessivas na Selic, o País sairá, aos poucos, da estagnação em que se encontra. Aliás, em outubro, o governo brasileiro deve fechar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse dinheiro também irá contribuir para a volta do crescimento e, dessa vez, o País entrará nas negociações de cabeça erguida. O próprio FMI avisou que o Brasil está em posição confortável e cabe a nós decidirmos. Nosso país tem credibilidade.
O Fundo, no entanto, fez também uma ressalva: a economia do Brasil precisará ter um crescimento alto e sustentado, durante um longo período, para que o país possa se livrar, de uma vez, dos riscos de uma nova crise financeira. O motivo para toda essa cautela é o alto endividamento do país. O Brasil passou por maus bocados nos últimos meses. Lula vem fazendo um grande esforço e reverteu uma complicada crise. O Brasil reconquistou a estabilidade e a confiança externa. Não é hora de vacilarmos.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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