Com dinheiro extra, pagam-se dívidas
Antes que o leitor confunda o título do artigo com algum mandamento que tenha que ser seguido religiosamente, quero deixar claro que trata-se apenas de um conselho de amigo. Estamos recebendo, de uma só vez, a restituição do Imposto de Renda, o expurgo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a primeira parcela do décimo-terceiro salário. O que fazer com esse dinheiro extra?
Eu não vou me colocar contra alguém que queira fazer uma viagem ou comprar uma roupa que estava, há tempos, namorando na vitrine. No entanto, nada nesse mundo paga a tranqüilidade de podermos dormir normalmente, sem pensar em dívidas. Por isso, com dinheiro extra nas mãos, primeiro pense em pagar as dívidas que estão em atraso e que puseram o seu nome no cadastro negativo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
E eu não defendo sozinho essa posição. Dez entre dez analistas econômicos dizem a mesma coisa. Você pode constatar lendo os jornais da semana. As financeiras e os bancos fazem sempre campanhas no final de ano para a renegociação de dívidas. No entanto, todo dia é dia para você propor livremente essa renegociação.
Eu, como presidente do Sindicato das Financeiras, asseguro-lhe que basta procurar a instituição com a qual você tem a pendência, que prontamente o problema será resolvido. Não é bom para ninguém você estar inadimplente. A financeira perde um cliente em potencial e o cliente perde a liberdade de fazer compras por estar com o nome “sujo”, como diz o jargão popular.
Nada melhor do que essa conjugação de fatores que ocorre no momento na economia para lhe ajudar a quitar as dívidas. Relembrando: a entrega dos lotes de restituição do Imposto de Renda, a liberação das correções do FGTS e o adiantamento do décimo-terceiro salário feito por algumas empresas. Ou seja: é hora de colocar a sua vida em ordem. Retire seu nome do SPC e recupere seu crédito na praça.
Após quitar as dívidas, o ideal é iniciar uma reserva para emergências posteriores, antes mesmo de partir para as compras. Que tal? Nada melhor do que ter dinheiro em mãos. Parece um pouco complicado para sociedades consumistas como a nossa.
Mas, para que então existiriam as financeiras se enfim as pessoas fizessem uma reserva na caderneta de poupança por exemplo? Nosso ideal é passarmos a financiar os sonhos das pessoas e não agirmos somente como bombeiros que apagam incêndios momentâneos.
Por isso, defendo que você faça uma reserva para gastar em situações de reveses da vida. Mas nos procure quando quiser comprar um carro ou outro bem. Não estou dizendo, com isso, que estamos fechando nossas portas para lhe atender em um momento difícil. Mas será muito mais prazeroso, para ambas as partes, estarmos juntos num momento de alegria. Estaremos aquecendo a economia e gerando empregos diretos e indiretos, promovendo o tão esperado desenvolvimento sustentado.
O crédito desenvolve o país. Você, junto conosco, somos a grande mola propulsora desse progresso!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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