A nova era do crédito
Participei, em Salvador, do 25º Encontro Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento. Financeiras de todo o Brasil se reuniram na capital baiana para discutir a nova era do crédito.
Estou convencido de que contribuiremos decisivamente para o progresso do Brasil. Nosso país vive hoje um grande pacto de desenvolvimento, e tenho certeza de que as instituições de crédito serão a mola propulsora. Não existe desenvolvimento sustentado sem crédito.
As financeiras estão em todos os cantos do País, com tecnologia de ponta e funcionários treinados para atender à população. Com isso, darão maior capilaridade ao crédito, constituindo-se no principal aliado do governo para o desenvolvimento econômico. As financeiras foram as grandes responsáveis pelo desenvolvimento da indústria automobilística nacional. Outro setor bastante beneficiado pela atuação de nossas empresas é o de eletrodomésticos.
Percebi que estamos afinados com o discurso do Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. No encontro em Salvador, Meirelles traçou um raio X da economia brasileira. Fez previsões para lá de otimistas. A inflação foi controlada com muito trabalho e persistência, segundo Meirelles, e o País está pronto para o tão sonhado crescimento sustentável. As reformas também foram muito comemoradas pelo Presidente do BC.
Não podemos esquecer de que a surpreendente política econômica do governo Lula foi a responsável pela reconquista da confiança dos investidores externos. É certo que pagamos um preço alto pela estabilidade com uma política econômica apertada, mas vem se diluindo nos últimos meses com as sucessivas quedas na taxa básica de juros. Sem austeridade, nada seria possível. Poderíamos estar vivendo ainda sob a ameaça constante da volta da hiperinflação.
Para coroar esse momento de otimismo, tivemos recentemente o anúncio do novo Plano Plurianual (PPA), definido para o período de 2004 a 2007. O objetivo do PPA é nobre: acabar com a fome e com o analfabetismo, levar mais água para o Nordeste e gerar milhões de empregos. O total de vagas criadas será de 8 milhões, segundo o governo federal.
O governo Lula finalmente apresenta dados consistentes. Até então, os projetos não saíam do campo das idéias. Dessa vez, a previsão de investimentos é real. Ou, como definiu o Ministro Guido Mantega: é um PPA realista.
A demonstração de força política do governo também é um fator fundamental. Recentemente, após a aprovação da reforma tributária, em primeiro turno, na Câmara dos Deputados, Lula fez questão de garantir que “a nau tem comandante”. E a vantagem foi mesmo larga: 378 votos a favor e somente 53 contra.
Foi dado um importante passo. Poderá significar a redução da carga tributária e o fim dos entraves que inviabilizam a produção. Isso nos faz voltar à questão do crédito, instrumento indispensável ao incremento da produção. No Brasil, o volume de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) não passa de 25%. É muito baixo. Em países desenvolvidos, e até em muitos emergentes, a situação é bem diferente: essa relação é superior a 100%. Traduzindo: tem muito espaço para o crédito crescer em nosso país.
Para tanto, é preciso instituições financeiras saudáveis e competitivas, além de um cenário macroeconômico favorável. Essa combinação alavancará a oferta de dinheiro. É a nova era do crédito. Queremos crescimento econômico sustentável por muitos anos!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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