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Comentarista: José Arthur Assunção
Preparar para decolar!

O Governo surpreendeu ao baixar os juros básicos da economia de 24,5% para 22% ao ano. Agora, o que todos querem saber é se o Brasil, finalmente, vai voltar a crescer. O momento é de otimismo, mas é preciso certa dose de cautela também.

Somente a queda dos juros não é suficiente para a recuperação total da economia. Mesmo que a decisão do Banco Central já tenha se traduzido em mudanças nos juros cobrados pelos bancos, ainda é necessária uma melhora na renda da população para que o crédito se expanda.

Mesmo em níveis baixos, o crédito existe. No entanto, quando há desemprego, achatamento salarial e medo, as pessoas não tomam empréstimos. O sentimento em relação à economia já é melhor, mas é um processo gradual.

A continuidade dos dissídios coletivos para a reposição salarial – mesmo que sem repor integralmente as perdas com a inflação – e as perspectivas de inflação em queda abrem espaço para essa recuperação na renda real já nos próximos meses. O que todos esperamos é que essa situação favorável permita a consolidação de um círculo virtuoso da expansão do crédito e crescimento econômico.

Fiquei surpreso com a queda de 2,5% na taxa básica de juros nesse momento, porque poderia desordenar a economia. No entanto, o Banco Central dispõe de dados macroeconômicos que podem ter viabilizado a tomada da decisão.

Confio na equipe econômica do Governo. Eles já provaram que sabem o que estão fazendo e, por isso, apesar de ter achado um pouco precipitada uma queda tão forte e de uma só vez, mantenho a tranqüilidade e a confiança no País.

O crédito na ponta do consumidor está caindo, e acredito que, com o início do crescimento, teremos aumento no volume de crédito. Num intervalo de um mês, a queda da Selic somada foi de 4%. Juntamente com a redução do compulsório, haverá mais crédito na praça a juros mais baixos.

O comprometimento do governo com o crescimento, os investimentos em obras públicas e a liberação dos financiamentos para infra-estrutura também vão impulsionar o mercado de crédito.

Na realidade, é um movimento paralelo. Na hora em que se perde o medo do desemprego e em que a renda melhora, o crédito cresce. O crédito é o instrumento de crescimento que volta a alimentar o círculo virtuoso. As bases para o crescimento estão lançadas. Com cautela e segurança, chegaremos lá.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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