Crescer ou crescer
O Presidente Lula prometeu o grande espetáculo do crescimento já a partir do 2º semestre de 2003. Mas, infelizmente, não é o que vem ocorrendo. Culpa do Presidente? Culpa dos Ministros? Culpa de todo o Governo do PT? Não creio. Não culparia ninguém. Cabem algumas ponderações.
A política de juros altos, bastante restritiva, utilizada pela equipe econômica do governo vem sendo um gol de placa. Conseguiu debelar a inflação, que mostrava suas garras novamente, de modo assustador.
O motivo, todos sabemos: havia um grande receio por parte dos agentes financeiros e do empresariado em geral quanto ao quê seria o Governo do PT. Por isso, o dólar chegou a absurdos R$ 4 pouco antes das eleições do ano passado, fazendo ressurgir a inflação, que, anualizada, chegou a 40%. Para quem viveu a hiperinflação era realmente para meter medo.
Para combater esse pessimismo com o novo Governo, coube, por ironia do destino, à sua própria equipe econômica utilizar a mesma política restritiva do governo anterior a que tanto se opunham. E deu certo. Deu certo? Sim. A inflação está domada e os indicadores macroeconômicos são incrivelmente animadores. Mas os efeitos colaterais na economia real estão cada vez mais intensos. O nível de desemprego é recorde e o País está em recessão. A promessa de Lula é de criar 10 milhões de empregos em quatro anos de governo. E agora Presidente?
Pois é! Lula vem convocando Ministro por Ministro e quer porque quer que o País cresça, e cresça já. Ele não quer ver sua popularidade, tão alta, naufragar mês a mês. Estão sendo priorizadas obras públicas e todo um arsenal de artifícios para fazer girar a roda da economia. Isso é bom.
Sem querer jogar água fria, é preciso que tudo seja feito passo a passo sob pena de vivermos novamente um período de baixo crescimento daqui a algum tempo. O País não suporta mais viver na gangorra: cresce um pouquinho, pára um pouquinho. É preciso crescimento, mas crescimento sustentado, por muitos anos, para dar emprego ao brasileiro.
Um dos principais artifícios de que o governo dispõe, além de elevar os gastos públicos, é afrouxar a política monetária. Foi bastante apropriada a atuação do Banco Central ao reduzir a alíquota do compulsório sobre os depósitos à vista de 60% para 45%. Serão liberados cerca de R$ 8 bilhões para a economia. A medida, aliada à expectativa de queda gradativa dos juros básicos nos próximos meses, aumenta a oferta de crédito e impulsiona o crescimento.
O aquecimento da economia acontecerá aos poucos, mas creio que será consistente. Todas as condições estão sendo estabelecidas, objetivando um crescimento sustentado, ao contrário do que ocorreu no passado.
Com a queda do compulsório e da taxa Selic haverá um recuo nos juros para o consumidor final, que, embora gradativo, ocorrerá de forma contundente em todas as modalidades de crédito.
Muitas financeiras e bancos já estão reduzindo os juros para o consumidor, não tanto pelos efeitos da medida em si, mas devido ao fator psicológico.
A hora é agora. A disponibilidade de crédito no País é irrisória. Soltando as amarras da economia, o Governo dará um grande passo rumo ao crescimento. Lula precisa disso para manter sua popularidade. E mais do que o Presidente, todos nós precisamos. É crescer ou crescer!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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