Política econômica apertada, mas acertada
O momento da economia real é muito difícil. O País está à beira da recessão, conseqüência dos juros altos praticados pelo Banco Central. Mas não vou ser pessimista.
O corte de 1,5% na taxa básica de juros, promovido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), serviu para enfatizar dois pontos importantes.
Primeiramente, que a política econômica continua conservadora, apertada, ainda mais com o quadro atual que nem de inflação é, e sim de deflação. Mas a defesa da moeda vem ainda em primeiro lugar. E nunca é demais lembrar que a inflação é o imposto mais cruel pago pelos mais pobres.
Outro fator a se considerar é a mensagem do BC de que a queda dos juros será contínua daqui em diante. Isso nos leva a crer que a taxa estará possivelmente abaixo dos 20% ao ano até o final de 2003 e, quem sabe, até inferior a 15% no final do próximo ano.
Vale ressaltar que, se não fosse todo o esforço do novo governo brasileiro, que tomou atitudes extremamente impopulares desde o início do ano, não estaríamos prontos agora para dar a volta por cima. A credibilidade externa voltou, todos os indicadores econômicos estão em níveis ótimos se compararmos com 2002. Ou seja, o País está pronto para retomar o desenvolvimento.
Não é possível um corte muito drástico de juros. Não surtiria um efeito tão bom assim como se imagina. O importante é que caiam aos poucos, mas de forma consistente.
É certo que o espetáculo do crescimento não virá assim tão depressa quanto esperava o Presidente Lula. No entanto, o crescimento, dessa vez, virá de forma sustentada, ao contrário de outros períodos de nossa economia em que vivíamos em uma montanha-russa.
O importante não é só crescer, mas crescer sempre, e a taxas que realmente promovam a inclusão dos trabalhadores no mercado de trabalho e também dos jovens em busca de seu primeiro emprego.
Quanto aos juros finais cobrados ao consumidor, a queda já está em curso. As taxas no Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e no empréstimo pessoal já estão caindo. O que dita esses mercados são as projeções futuras de juros, que já vêm em declínio há um bom tempo.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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