Seis meses de pura emoção
Luis Inácio Lula da Silva é emoção à flor da pele. Entre prós e contras, prevalece a vontade de acertar, a vontade de mudar o Brasil. O PT já não é o mesmo. Lula já não é o mesmo. Mas o objetivo continua o mesmo: desenvolver o País e promover justiça social.
O que mudou foi a proposta. Se, antes, o PT tinha respostas para todas as questões, hoje a história é outra. A dura realidade de governar levou o partido e o presidente a reverem seus conceitos e, com maturidade, a confiança no País foi restabelecida.
Lula venceu várias resistências nesse primeiro semestre de mandato. Foi muito bem recebido pela comunidade internacional, manteve a estabilidade da economia e soube conquistar vários aliados com a ajuda de seu fiel escudeiro, o Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu. No campo internacional, encontrou-se duas vezes com o todo-poderoso Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, além de participar, como um verdadeiro astro, do Fórum Econômico Mundial e da reunião do G 8. Lula disse a Bush que a relação entre Brasil e Estados Unidos surpreenderá o mundo. Nosso presidente aceitou que o Brasil faça parte da Alca já em 2005. Mas, apesar de aceitar a data imposta pelos Estados Unidos, fez ressalvas e marcou posição.
Ficou claro que a política externa será prioridade do novo governo brasileiro. Será feito o esforço necessário para a integração de toda a América Latina. E a nação-líder já está escolhida: o Brasil, é claro.
Na Câmara dos Deputados, o governo aumentou sua base de 250 para 377 deputados. Vem conseguindo acelerar as reformas, tão importantes para viabilizar o crescimento da economia.
Mas nem tudo foram flores nesses seis meses. As cobranças são mais intensas na área social. Afinal, esperava-se mais nesse campo de um governo do Partido dos Trabalhadores. Até o próprio Presidente da Câmara, o Deputado petista João Paulo Cunha, defende uma “chacoalhada” na política social do governo, com a unificação de todos os programas do setor sob um único comando.
A crítica mais pesada vem dos próprios aliados. O desemprego está em alta, motivado pelo baixo crescimento. O episódio do boné do MST foi talvez o lance mais infeliz de Lula. É importante que haja mais cuidado nas ações presidenciais e também em seus discursos.
Mesmo assim, o otimismo prevalece. Com a inflação em forte queda, já é possível prever cortes mais substanciais das taxas de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa é de que a taxa Selic chegue, no fim do ano, a aproximadamente 19% e, em 2004, caia a 16%. Tudo isso com a inflação sob controle e o País na rota do crescimento sustentado.
O carisma de Lula vem vencendo os obstáculos. O ex-metalúrgico já percebeu que não é nada fácil governar o País. Contudo, ele mantém a esperança de fazer um Brasil melhor para todos. Conte conosco, Presidente!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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