Ser patriota 365 dias por ano
Ao assistir à explosão dos brasileiros após o apito do árbitro italiano, que nos deu o pentacampeonato mundial de futebol, me bateu um sentimento que eu gostaria de compartilhar com você, leitor: o Brasil seria melhor, em todos os aspectos, se esse patriotismo, que brota em épocas de Copa do Mundo, se estabelecesse de forma definitiva no nosso dia-a-dia.
Durante um mês, saímos por aí de carro, orgulhosos de nossa bandeirinha afixada no vidro lateral. Acordamos às três horas da manhã para assistir à seleção. Ficamos até às duas da madrugada esperando os jogadores pentacampeões passarem no Rio de Janeiro e até às seis da manhã em São Paulo.
É esta a doação da qual falo, que poderia ocorrer em todos os campos de nossa vida, mudando nossa postura em relação à pátria. É como se vestíssemos a camisa da seleção durante todo o ano e soltássemos fogos a cada conquista do país.
Ao invés de o patriotismo ser apenas uma paixão passageira, ele deveria estimular nossa razão. Essa terra tem de tudo, dizem os mais velhos. Aqui, em se plantando tudo dá. Somos a nação do futuro. Sim, temos e somos tudo isso. Mas senti uma vontade imensa que concretizássemos, como Ronaldinho, esse sonho de figurarmos, um dia, no rol das nações mais desenvolvidas do mundo.
Vêm aí as eleições gerais. Segundo pesquisas recentes, praticamente toda a população brasileira não se lembra em qual deputado e senador votou nas eleições passadas. Quando muito, lembra somente do candidato a presidente e a governador. Se votássemos com o mesmo comprometimento com que incentivamos os nossos jogadores nos gramados asiáticos, com certeza elegeríamos um congresso muito mais afinado com os interesses do país.
Se não somente em época de Copa do Mundo, mas durante a vida inteira, especialmente em um ano eleitoral como este, agíssemos com o mesmo patriotismo, a situação seria bem diferente. Votaríamos com segurança, confiança e comprometimento com a melhoria do país. Deveríamos nos empenhar em pesquisar a vida dos candidatos, saber o que já fizeram e, principalmente, acompanhar seu desempenho após eleito.
Fora da Copa do Mundo, esse sentimento de que lhe falo já despontou várias vezes em nossa história recente, mas somente em eventos pontuais. Lembro-me da crise de energia, do impeachment do ex-presidente Fernando Collor e da campanha das Diretas Já.
Na crise energética, assistimos à uma população engajada com o racionamento. As pessoas se sacrificaram, ficaram no escuro, evitaram banhos demorados de chuveiro elétrico. Enfim, se esforçaram ao máximo e a meta do governo federal foi atingida graças a esse comprometimento.
Anos atrás, vimos toda uma nação envolvida no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Multidões saíram às ruas para protestar contra as tramóias envolvendo seu governo. E na campanha pelas Diretas Já, em 1984, milhares de pessoas dirigiram-se ao centro do Rio para pedir o voto direto e o direito de escolher seus próprios representantes.
Mas não devemos ser patriotas apenas em alguns poucos momentos ou por um único mês, de quatro em quatro anos. Somente sendo patriota 365 dias por ano é que seremos realmente felizes. Como disse um importante presidente americano: não se deve procurar saber o que o país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país.
Que o Brasil siga o seu rumo. E, com o nosso auxílio, venha a ser uma grande potência mundial em breve. Como nos jogos da Copa, vamos, a cada dia, dar a nossa dose de patriotismo: “Pra frente Brasil!”.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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