Atitude prudente do BC
O Banco Central deu início à queda dos juros. Mesmo tendo sido um corte relativamente pequeno - 0,5% - o fator psicológico é o que mais conta no momento. O sinal do Comitê de Política Monetária do BC é de que a inflação dá mostras concretas de estar sob controle e o País enfim vai soltar as rédeas da economia e voltará a crescer.
O primeiro corte de juros do governo Lula foi bem recebido por todos, acredito que sem exceção. E é fácil explicar: o setor produtivo clamava há muito tempo pela queda da Selic. O mesmo posso dizer dos trabalhadores, que gastam boa parte da renda pagando juros. E mesmo aqueles que, como eu, defendiam a manutenção da taxa, entenderam que o Banco Central agiu com correção, sabedor das reais condições da economia. Afinal, essa equipe econômica já deu provas suficientes de que toma medidas essencialmente técnicas.
Com o corte de 0,5%, o BC mantém uma política monetária apertada, que continuará produzindo um bom efeito na luta contra a inflação, mas dá o sinal de que a luz vermelha começará a dar lugar à luz verde do desenvolvimento.
O importante é que o governo não vê unicamente na queda dos juros o fator essencial para o crescimento. Várias iniciativas estão sendo tomadas na indústria, na agricultura e demais setores para que, juntamente com a queda dos juros, o País dê um salto qualitativo muito grande nos próximos anos.
Não acredito que irão ocorrer cortes acentuados de juros nos próximos meses. No entanto, a trajetória de queda teve seu início e, a não ser que ocorram fatos inusitados, a cada mês haverá um novo corte.
Demorou um pouco, mas foi pelo bem do País. O BC vai afrouxando a política monetária e o País voltará a crescer de modo sustentado como todos nós esperamos. Quem sabe a taxas de 4%, 5% ou mesmo 6% ao ano? Parece um sonho, mas somos capazes!
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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