Comentários em Real Player.
acesse
 
Confira aqui os dias e horários do Consumidor-RS.
 
 
Deixe aqui sua reclamação ou dúvida quanto a seus direitos como consumidor. Nossa assessoria jurídica responderá o mais breve possível.
 
   
Este espaço é seu: deixe suas sugestões, opiniões e recados!  
  Receba por e-mail as principais notícias e novidades da semana!  
assine
  Pesquise no nosso banco de notícias
 
  pesquise  


Comentarista: Marilice Costi
Humanização dos espaços e o direito de todos

Comoveu-me o relato de uma colega. Para poder trabalhar, tinha que subir escadas, sofrendo dores com os deslocamentos. Bem perto de sua aposentadoria, pediu demissão. Contou-me depois que, muitas vezes, não consegue estacionar na cidade porque a vaga é ocupada por pessoas sem deficiência. A vez que reclamou, ao lhe ouvirem, debocharam dela e imitaram deficientes.

São muitos os que não respeitam as vagas de estacionamento em shoppings e em ruas. E a fiscalização? O direito das pessoas portadoras de deficiência física (PPDF) é facultado por lei. Desde 1994, existe a Norma Brasileira 9050 (ABNT), que define a acessibilidade para todos. Posteriormente, os municípios foram regulamentando e exigindo adaptações. Hoje, ela vem sendo atualizada. Mas de que adiantam leis se elas pouco são cumpridas? Sem nos colocarmos no lugar do outro, elas adiantam? E na hora que tais pessoas precisam, ninguém tem o poder de exigir, de multar? De quem é a competência?

Facilitar o acesso através de rampas, pisos adequados, rebaixos de meio-fio, elevadores, não serve apenas para pessoas deficientes. Existem as mulheres com carrinhos de compras, mães com seus bebês, obesos, gestantes, carregadores de produtos, idosos ou quem quer que seja que tenha sofrido algum traumatismo e não pode se deslocar facilmente. Portanto, os espaços projetados podem ser utilizados por qualquer um de nós. Ou não corremos riscos?

Quantos esforços resultam traumáticos quando há que vencer degraus? E quando carregamos peso? Todos seremos, em algum momento, deficientes. Conforme dados do CENSO 2000: 14,5 % possui deficiência. Aproximadamente 24,5 milhões de pessoas. E os idosos? O Brasil estará no 6º lugar no ranking mundial de população idosa em 2050. E ainda se questiona a acessibilidade para tais consumidores? Afinal, o ser humano é um ser racional, mas na realidade, sua razão não é bem assim. Existe uma visão arcaica. Para mudar, exigem compensação - só se puder descontar no I.R.. Esta ausência de empatia, reforçada pela falta de sensibilidade é preocupante. Olharmos as desgraças na mídia todo o dia reduz nossa sensibilidade? Acostumamo-nos com o sofrimento do outro? Será que precisamos passar pelas mesmas dificuldades para sermos humanos?

Muitas de nossas leis só são feitas e efetivamente cobradas quando alguém importante morre e aparece na mídia. Foi o que houve após a morte de um Ministro de Estado por causa da contaminação aérea. Até então, quem questionava a limpeza dos dutos do ar condicionado? Estamos esperando que algum deficiente importante morra para que, através da mídia, a população se sensibilize?

A vantagem que se pode ter por não sermos deficientes (sabemos até quando?) não deve nos impedir de melhorarmos os espaços e facilitar o uso dos ambientes com segurança. O portador de deficiência, seja visual, auditiva ou de locomoção, também é um consumidor. Também têm direitos. Quantas empresas já se deram conta disso? Marketing? Imaginem todos os que possuem deficiência entrando em uma loja!

Estamos no século XXI, mas o humanismo ainda está longe de acompanhar a tecnologia e vive-versa. Muitos tomariam menos antidepressivos se pudessem passear com segurança em nossas ruas. (Nossas calçadas nos levam a traumatologistas e farmácias...)

Aceitar limites é complicado. Dependência pode ser muito sofrimento. Mas também se pode crescer com isto, procurando novos rumos, novos caminhos. Recomeçar. A autonomia é o que nos faz mais inteiros (que falem as mulheres!). Na maioria das vezes, são coisas simples, mas que exigem enorme esforço das PPDF. Depender do olhar, da perna ou da mão do outro...

O seu direito depende muito mais da consciência dos cidadãos do que da implantação de leis. Mas se elas existem, devem ser cumpridas. Olhar para o lado e ver como podemos fazer alguma coisa pelo outro é simples. Respeitar o espaço do outro é muito mais simples. A cidade precisa abraçar a todos. Inclusive a nós, na nossa velhice.

Revisão e edição: Renata Appel


Escritora, Arteterapeuta, Mestre em Arquitetura, Consultora. Site: www.sanaarquitetura.arq.br  
e-mail do autor: marilice.costi@sanaarquitetura.arq.br
 
 

Nossos comentaristas:
1. Adeli Sell
2. Aldemir Spohr
3. Alexandra Periscinoto
4. Alexandre Appel
5. Alexandre Diamante
6. Alvaro Trevisioli
7. Ana Cláudia Guimarães e Souza de Miguel
8. Ana Paula Simone de Oliveira Souza
9. Ana Rique
10. Andrea Cristina Sakata
11. Andrea Mente
12. Antonio Luís Guimarães de Álvares Otero
13. Augusto Paes Barreto
14. Benny Spiewak
15. Carlos Alberto Pescada
16. Carlos Eduardo Dantas
17. Carolina Memran Schreier
18. Chan Wook Min
19. Cláudia Domingues
20. Claudia Yamana
21. Cláudio Boriola
22. Conceição Clemente
23. Dalmir Sant Anna
24. Daniel Maranhão
25. Daniella Augusto Montagnolli Thomaz
26. Diego Lopes
27. Domingos Sávio Zainaghi
28. Eduardo de Oliveira Gouvêa
29. Emerson Kapaz
30. Eric Jean Peleias
31. Eric Slywitch
32. Eunice Casagrande
33. Fabiano Carvalho
34. Fábio Alexandre Lunardini
35. Fábio Lopes
36. Fernando Quércia
37. Gabriel Aidar Abouchar
38. Gilson Rasador
39. Giselle Ferreira de Araújo
40. Gislaine Barbosa de Toledo
41. Greyce Lousana
42. Grijalbo Fernandes Coutinho
43. Guilherme Iglesias
44. Hugo Cavalcanti Melo Filho
45. Istvan Kasznar
46. Joandre Antonio Ferraz
47. João Felipe Consentino
48. Jordão de Gouveia
49. José Arthur Assunção
50. José Eduardo Ribeiro Lima
51. Juliana Girardelli Vilela
52. Leôncio de Arruda
53. Lúcia Farias
54. Luciane Varela
55. Luciano Athayde
56. Luiz Fernando Lucas
57. Luiz Fernando Mussolini Junior
58. Luiz Renato Roble
59. Luiz Riccetto Neto
60. Marcelo Amorim
61. Márcia Trevisioli
62. Marco Antonio Sabino
63. Marcos Antonio Ribeiro
64. Maria Elisabeth de Menezes Corigliano
65. Maria Inês Arruda de Três Rios
66. Maria Lucia Benhame
67. Marilice Costi
68. Mario Ernesto Humberg
69. Mônica Cilene Anastácio
70. Mônica Miranda Franco Vilela
71. Natali Araujo dos Santos Marques
72. Newton Eduardo Busso
73. Paulo Antenor de Oliveira
74. Pedro Lessi
75. Pérsio Ferreira Rosa
76. Rafael Augusto Paes de Almeida
77. Rafael Motta e Correa
78. Rafaela Domingos Lirôa
79. Reginaldo Minaré
80. Régis Fernandes de Oliveira
81. Renata Appel
82. Roberto Monteiro
83. Rodnei Iazzetta
84. Rodrigo Barioni
85. Rodrigo Jacobina
86. Rodrigo Maitto da Silveira
87. Rosana Marques Neto
88. Rosely Lemos
89. Rubens Naves
90. Tom Coelho
91. Valdomiro Soares
92. Victor Polizzelli
93. Werner Kugelmeier
94. Ziara Abud

::Dicas para o consumidor::
© 2001 Consumidor RS...
Página Inicial Entrevistas Notícias Comentaristas Boletim Fórum Estadual de Defesa do Consumidor Variedades Consumidor RS recomenda
Parceiros Consumidor-RS
 > Quem somos
 > O que fazemos
 > Nosso compromisso
 Principais links de  interesse dos  consumidores
 Fale conosco. A sua  opinião é muito  importante para nós.
Como será seu comportamento de consumo neste final de ano em pleno momento de crise econômica mundial?
Vou seguir fazendo compras da maneira que sempre fiz todos os anos!
Terei mais cautela na hora de comprar, com preços e formas de pagamento.
Vou comprar e gastar o mínimo possível!
Estou alheio(a) a este tema./O assunto não me preocupa.