O renascer portenho
A Argentina está de volta à cena mundial, agora muito mais fortalecida. Um presidente consagrado nas urnas por um povo que nunca desistiu de lutar. Mesmo tendo vencido por WO o segundo turno das eleições, Nestor Kirchner devolve legitimidade à Casa Rosada e fortalece o Mercosul.
O governo provisório de Eduardo Duhalde foi extremamente bem sucedido. Conseguiu dar uma guinada na economia Argentina, que apesar de ainda bastante debilitada, já começa a dar novamente sinais de vida. Voltará a ser pujante em pouco tempo, e agora sem mais amarras. Acabou o câmbio fixo e, mesmo assim, a inflação está controlada.
Outra grande vitória dos argentinos foi o fim da carreira política de Carlos Menem. Sua decisão de renunciar ao 2º turno das eleições mostrou todo seu descomprometimento com a democracia e com a Argentina.
O que muito me impressionou foi o fato de os argentinos não terem anulado o voto, apesar da grave crise econômica e da total descrença na classe política do país. Pouco mais de 1% de votos nulos e em branco no primeiro turno. Utilizaram o único instrumento de que dispõe um regime democrático para promover mudança.
No que diz respeito à América Latina, é grande a sintonia entre Kirchner e Lula. Mesmo antes do desfecho das eleições, o presidente eleito esteve no Brasil para dialogar. Se depender de Lula e Kirchner, tenho a impressão de que Brasil e Argentina estão prestes a viver um período de lua-de-mel.
Kirchner garantiu que, assim como Lula, não terá pressa para negociar a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta pelos Estados Unidos. Vai priorizar a integração entre as nações latino-americanas.
O meu otimismo em relação à recuperação da Argentina sempre foi grande, mesmo nos piores momentos. Era preciso acontecer a ruptura do final de 2001, que foi drástica, infelizmente. O câmbio, congelado por uma década inteira, foi um sonho que virou pesadelo. Mas os argentinos acordaram e partem agora para a retomada do desenvolvimento.
Meus parabéns ao povo argentino, que, mesmo sem entusiasmo, votou com grande dignidade no 1º turno. E foi cerceado de seu direito ao voto no 2º turno por um ex-presidente que pôs a Argentina no fundo do poço que ainda está. Pobre Carlos Menem. Rica Argentina. Rico todo o povo argentino.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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