Uma revolução do crédito no Brasil
A partir de agora, ao invés de contarmos somente com um Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) do modo que existe hoje, ou seja, somente com o cadastro negativo das pessoas, foi lançado um cadastro onde consta também o positivo, ou seja, todo o histórico de crédito da pessoa. Serão viabilizadas operações que não seriam feitas normalmente, porque o consumidor, em muitos casos, não comprova renda.
É o caso da economia informal, que representa nada menos do que 55 % da população economicamente ativa. Com a inclusão dessa gama de pessoas, hoje marginalizadas, no mercado de crédito brasileiro, esse mais do que dobrará em pouquíssimo tempo.
Operado pela Serasa, o Acrefi Positivo permitirá, aos associados da Acrefi, um conhecimento mais detalhado dos seus clientes, através de um cadastro com todas as compras a crédito e empréstimos feitos pela pessoa ao longo de sua vida.
Devido à maior segurança e transparência, a taxa de inadimplência cairá de modo significativo, fazendo com que as empresas financeiras formem ativos mais saudáveis. Como consequência, os juros declinarão fortemente na ponta do consumidor, já que a inadimplência é o fator que mais pesa na composição final da taxa.
Com o novo cadastro, a expectativa é de que cresça bastante a relação volume de crédito versus Produto Interno Bruto (PIB), que hoje representa apenas 27%, número muito reduzido se comparado a países que já adotam tal sistema (dentre estes, os mais desenvolvidos do mundo). Existe um espaço enorme para a expansão do crédito no Brasil. E o Acrefi Positivo, enfim, inicia esse ciclo vituoso.
O cadastro positivo representa uma explosão do crédito no país, um dos fatores que vai contribuir para o desenvolvimento sustentável da nação.
Noventa e cinco por cento dos brasileiros são bons pagadores. Pessoas honestas, que honram seus compromissos em dia. Pensando nelas, foi lançado o Acrefi Positivo.
E quanto aos 5% restantes da população? Vão ficar sem crédito? Minha resposta é que continuarão a ter crédito sim, mas por um preço diferenciado do que aqueles que pagam em dia. É o modo que encontramos de separar o joio do trigo.
Muitos que falam mal do cadastro positivo ou querem polemizar devem ter algum outro interesse que sinceramente desconheço e não tenho como avaliar. Por que continuarmos a privilegiar o mau pagador em detrimento do bom? Quem analisar o Acrefi Positivo de forma criteriosa, séria e sem preconceitos, irá constatar ser um instrumento democrático para alavancar o crédito no país e baixar os juros na ponta do consumidor.
E mais: só vai aderir a esse sistema quem quiser. Ninguém é obrigado. Com o cadastro positivo, poderemos, por exemplo, saber se uma pessoa que está com o nome “sujo” no cadastro negativo do SPC é ou não boa pagadora. Ela pode ter ficado desempregada eventualmente, ter tido um problema de doença na família ou algum outro acidente ao qual todos nós estamos suscetíveis. Tendo o seu histórico, será possível lhe conceder crédito.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
e-mail do autor:
jala@asb.com.br
|