Guerra longa ou guerra curta? Infelizmente essa é a principal questão do momento. O mundo torce por um rápido desfecho do conflito entre Estados Unidos e Iraque para que a economia mundial não seja tão abalada.
A questão, para mim, tem um grande teor psicológico. Com a guerra, as pessoas e as empresas, de modo geral, ficam receosas de fazer gastos, mesmo que sejam destinados a investimento. A tendência é economizarem ao máximo. Contudo, essa não é a primeira nem será a última crise pela qual o mundo irá passar. Todos precisamos saber conviver com cada uma delas.
A duração do conflito é o que determinará as cotações do petróleo e sua conseqüência nas finanças dos países. O temor de uma crise energética fez o preço do petróleo subir cerca de 40% nos últimos quatro meses. Mas já ocorreu um recuo acentuado nas últimas semanas. E a tendência é que as cotações caiam muito com o final da guerra.
De um modo geral, o mercado está mais otimista agora do que antes de o conflito se iniciar. A própria Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) definiu que o cartel vai suprir qualquer lacuna resultante de uma interrupção da produção mundial.
Para nós, brasileiros, já calejados por tantas e tantas crises, internas e externas, quase não nos abalamos tanto. É evidente que uma guerra longa será muito maléfica para a economia de todo o mundo e conseqüentemente para a economia brasileira.
Contudo, creio que, apesar de todos os contras, o Brasil está muito melhor inserido nesse momento do que esteve em outros momentos que trouxeram tanta ou mais apreensão para os mercados emergentes.
E por que o Brasil está bem menos vulnerável a esta crise do que em outras ocasiões? Hoje somos praticamente auto-suficientes em petróleo. A possibilidade de faltar a matéria-prima em território brasileiro é ínfima. Produzimos 90% da demanda nacional. E os 10% restantes poderiam ser supridos facilmente com um racionamento.
Outro fator que pesa bastante de forma positiva é o déficit externo brasileiro, que recuou fortemente. Com necessidade baixa de financiamento, a tendência é que a entrada de recursos externos acabe sendo até maior, devido à queda do Risco-País e à melhoria de todos os indicadores macroeconômicos.
A balança comercial passa por um momento excelente. A projeção de que as exportações brasileiras aumentariam em 10% este ano já deu lugar a previsões ainda mais otimistas por parte do Governo. O superávit comercial deve ficar mesmo próximo a US$ 18 bilhões.
O Brasil precisa andar com suas próprias pernas e tem tudo para ser uma nação de Primeiro Mundo em alguns anos. Ao contrário do que ocorreu em outros momentos, parece que nos preparamos melhor agora.
Tomara que Lula não faça o mesmo que Fernando Henrique, que sempre culpava as crises externas pelo baixo crescimento da economia brasileira. A desculpa não cola mais. Precisamos crescer independentemente de crises externas. Elas sempre existirão.
A falta de crises não pode ser condição para o desenvolvimento do Brasil. Em um mundo globalizado, é claro que problemas de outros países sempre nos afetarão. Mas não podemos ser eternamente reféns.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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