O Brasil no meio do caminho
A educação é fundamental para o desenvolvimento de um país. A frase pode parecer óbvia e até um clichê. Mas historicamente vinha sendo pouco seguida pelos nossos governantes. Com Fernando Henrique foi diferente. Temos que tirar o chapéu. A educação, em seu governo, foi a mola propulsora para melhorar a qualidade de vida dos municípios brasileiros. Mas ainda há muito a ser feito.
Esse cenário é comprovado por um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud). As Nações Unidas criaram um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), que mede os avanços na educação, expectativa de vida e renda per capita. O IDH-M brasileiro subiu de 0,709 em 1991 para 0,764 em 2000. Pelo indicador, quanto mais próximo de 1, melhores são as condições de vida dos municípios. É um sistema eficiente e semelhante ao utilizado internacionalmente para classificar os países por três critérios: escolaridade, longevidade e renda da população.
O que mais chama a atenção é que de um total de mais de cinco mil municípios, quase todos apresentaram bons índices de ensino. Mesmo as cidades menos favorecidas tiveram evolução. Hoje, mais pessoas têm acesso à escola e podem conseguir melhores empregos. E isso é fundamental para levar um país ao desenvolvimento.
Esse progresso na educação só não reduziu as disparidades regionais, que ainda são grandes. Os municípios menos desenvolvidos estão no Nordeste ou no Norte. Já entre os mais desenvolvidos, só quatro não estão no eixo Sul-Sudeste.
Em ordem de importância, as unidades mais desenvolvidas são o Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O estado de Santa Catarina, aliás, tirou o quarto lugar do Rio de Janeiro. O pior estado é Alagoas, embora tenha-se registrado melhoras substanciais nesses dez anos.
Podemos constatar que os extremos persistem no País. O ABC Paulista e o sertão nordestino são duas realidades bastante distintas. A pequena Manari, no sertão de Pernambuco, tem uma preocupante taxa de analfabetismo: mais da metade das pessoas com idade superior a dez anos não sabe ler. Enquanto isso, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, o índice de analfabetismo é bem menor: somente 2,5%.
São Caetano do Sul, aliás, tem um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,919, melhor do que o da Itália. Já a classificação de Manari é de apenas 0,467, o que a deixa em situação pior do que países pobres como o Haiti e a Índia.
Outro ponto que merece destaque são as informações que levam em conta critérios raciais. Elas mostram o grande abismo social que ainda separa negros de brancos no Brasil. Se somente os brancos brasileiros formassem uma nação, ela estaria entre as mais avançadas do mundo. Já se os negros formassem outro país, ele estaria entre os subdesenvolvidos.
Mesmo assim, a população negra apresentou progressos ao longo dos anos. Os negros avançaram na educação. A taxa de freqüência escolar dos negros teve aumento de 20%, enquanto a dos brancos foi de apenas 15%. Porém, a renda dos negros equivale a 40% do rendimento médio dos brancos. E isso não mudou entre 1991 e 2000.
A expectativa de vida teve melhora, mas ainda existe diferença. Os brancos vivem em média 71 anos, enquanto os negros vivem pouco mais de 65 anos. O Índice de Desenvolvimento Humano dos brancos está em 0,8, enquanto o dos negros é de 0,7. É preciso reverter esse quadro. O Brasil precisa ser mais justo socialmente.
Mesmo assim, de um modo geral, as informações das Nações Unidas mostram que estamos no caminho certo. É evidente que ainda há muito a ser feito. Temos que batalhar para que, daqui a dez anos, esses números sejam ainda melhores. De preferência, sem tantas desigualdades. Um país só tem condições de prosperar se for equilibrado socialmente.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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