Com inflação perto do piso da meta, mais um corte de 0,5% na Selic
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Como a expectativa de inflação vem decrescendo a cada semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) vai optar novamente pelo corte de 0,5% na taxa Selic nesta reunião de outubro. Se realmente as apostas do mercado se confirmarem e a Selic for para 13,75% ao ano, ainda assim a taxa real será superior a 10%, o que me leva a crer que ainda teremos um novo corte de 0,5% em novembro. Mas tudo vai depender das projeções de inflação daqui até lá. Se a inflação continuar em queda, a Selic vai cair mais fortemente como conseqüência.
As sondagens do Banco Central com 100 instituições financeiras, feitas toda semana, vêm revelando que a projeção de inflação para 2006 está por volta dos 3%. Como essa expectativa vem sendo revista para baixo, semana a semana, já tem muita gente levantando a hipótese de o custo de vida ficar abaixo do piso da meta para este ano, que é de 2,5%. Se isso se confirmar, o Banco Central vai ter que se explicar ao Ministério da Fazenda. Sempre que a inflação estoura o limite máximo da meta ou fica abaixo do piso da meta, é preciso uma explicação do BC por carta.
Tamanha ortodoxia da política monetária freou a expansão do Produto Interno Bruto em 2006. Isso vai impedir que o Brasil cresça como se esperava. A pergunta então é: será que o BC não foi ortodoxo além da conta, praticando juros muito acima do que era preciso para conter a inflação? É possível que o Banco Central tenha errado um pouco na mão este ano na política monetária ao trazer a inflação para um nível tão perto do piso da meta. Mas talvez fosse preciso uma dose cavalar de juros para dar fim à indexação. O Brasil hoje ostenta uma inflação de 1º Mundo, menor até que a dos Estados Unidos e de alguns países europeus. Isso não é bom? Eu acho ótimo. E se realmente houve excesso de cautela na condução da taxa de juros, ele vai ser corrigido, aos poucos, em 2007.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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