A hora e a vez de se repensar o sindicalismo
|
O ano de 2007 promete ser muito conturbado politicamente e, ao mesmo tempo, um ano onde haverá necessidade de se efetuar profundas reformas, entre as quais política e tributária. A reforma política deve ser a 1ª, pois a população reclama por mais transparência e comprometimento de seus representantes; não menos importante é a reforma tributária, pois a sociedade quer debater um novo relacionamento entre o fisco e contribuinte.
O cenário político que se avizinha nos apresenta muitas dificuldades para o próximo presidente, seja ele quem for. Não terá uma base de sustentação sólida no Congresso Nacional, às voltas com sua própria falta de credibilidade, contará com uma desconfiança da sociedade e com uma vigília cada vez mais forte da imprensa. Os partidos políticos também continuarão na berlinda e as centrais sindicais, vistas com desconfiança pela sociedade e pelos trabalhadores, a cada dia que passa serão mais cobradas por causa da descrença à sua atuação.
Então, a quem favorecerá o ano de 2007? Na nossa percepção, à imprensa, à sociedade civil organizada e aos sindicatos que não sejam filiados a nenhuma das centrais sindicais existentes. Há ainda espaço para a criação de uma nova central, desde que lastreada no princípio de total independência partidária. Uma amostra da força que os sindicatos independentes têm foi a rejeição, em setembro, das Medidas Provisórias 293, que dispunha sobre o reconhecimento das centrais sindicais, e 294, que criava o Conselho Nacional de Relações do Trabalho.
A sociedade passará a exigir mais dos sindicatos. E os sindicatos independentes terão que saber responder com compromisso e trabalho, como forma de provar sua legitimidade. O instrumento da greve como forma de pressão deverá ser menos utilizado, a defesa de bandeiras em prol da comunidade tomará mais vulto e dará mais visibilidade para as necessidades dos trabalhadores.
A título de exemplo: um sindicato que representa servidores da Receita Federal terá que debater questões como carga tributária, informalidade e sonegação. E, além disto, outros assuntos, deixados em 2º plano quando se fala em administração tributária, terão que ser debatidos. Entre eles, reforma agrária, por sua ligação direta com o Imposto Territorial Rural; tráfico de armas, pois é pelas fronteiras que boa parte das armas ilegais adentram o território nacional; e trabalho escravo, pois sempre leva à sonegação e à lavagem de dinheiro.
Revisão e edição: Renata Appel
Bacharel em Ciências Contábeis, Pós-Graduado em Contabilidade Gerencial - Universidade Federal do Espírito Santo - UFES e Presidente do Sindireceita - Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal.
e-mail do autor:
pa@sindireceita.org.br
|