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Comentarista: Cláudio Boriola
Brasil: um país feito de taxas!

Chega hoje pelo Correio, na sua residência, mais uma correspondência bancária. Mas com toda a modernidade à sua volta, muitas vezes o que chega pelo bom carteiro fica esquecido, sem muito valor. Então, essa carta fica jogada em algum canto da sua casa até que você tenha um tempo livre para abrir e ver do que se trata. Apesar de ser uma atitude comum devido também à nossa falta de tempo para tudo, é interessante disponibilizar alguns minutinhos para ver esse tipo de correspondência. No extrato mensal detalhado podemos, além de simplesmente conferir o saldo da nossa conta corrente, ver todas as taxas que nos são cobradas pelas instituições financeiras e as possíveis cobranças indevidas. E o mais importante: esse é um serviço que (ainda) não é cobrado! É um verdadeiro oásis nesse deserto onde cada grão de areia é uma taxa, cobrada sem dó dos clientes.

Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente e vende o pãozinho, mas cobra o embrulhar do pão. Além disso, me impõe taxas. Uma "taxa de acesso ao pãozinho", outra "taxa por guardar pão quentinho" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro. Para ter acesso a um dos produtos do banco, a conta corrente, é cobrada uma "taxa de abertura de conta", equivalente à hipotética "taxa de abertura da padaria", pois só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria, certo? Existe outra taxa que serve para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo. Ah! Não esqueça que estamos falando que essa pratica ocorre aqui no Brasil. Essa taxa se assemelha à "taxa por guardar o pão quentinho" na nossa “padaria bancária”. Se um cheque é incluído no cadastro de cheques sem fundo, uma taxa é cobrada. Se formos excluir, também. Se efetuarmos um saque num caixa da Rede 24 Horas, mais uma taxa. Se utilizarmos demais o caixa eletrônico do nosso próprio banco, outra taxa. Se quisermos ter um controle mais preciso da nossa conta corrente por meio de extratos impressos, lá vem mais uma taxa. Praticamente, estamos sem saída, e daí o impacto vai deteriorando aos poucos o bolso dos brasileiros, que têm que pagar por tantas taxas!

Nossa única arma para tentar minimizar o peso de tantas taxas no nosso bolso é a pesquisa, quando se tem essa opção. Ao abrir uma conta corrente, pesquise as taxas cobradas pelo banco de sua escolha e compare com outras instituições. Nem sempre aqueles “pacotes de serviços”, cobrados mensalmente, são úteis. Dentro desse “pacote” podem existir alguns itens que não serão utilizados e não lhe dará direito algum. No caso de contas-salário, quando a empresa não dá opções entre várias instituições bancárias, procure fugir do limite e não utilize serviços como cheque especial, por exemplo. Alguns bancos dão privilégios para certas classes de clientes, como os universitários. Procure se informar no banco e, caso se enquadre em uma classe beneficiada, se antecipe em relação à sua empresa e abra você mesmo a conta para que possa se aproveitar de menores cobranças.

Sabemos que a responsabilidade dos bancos é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados e que tudo o que é cobrando está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central do Brasil. Mas também sabemos que existem seguros e garantias legais que protegem o patrimônio dos bancos de todo e qualquer risco. Infelizmente, o que sei também é que, por mais que estejam garantidas por lei, as cobranças elevadas são uma imoralidade.

Revisão e edição: Renata Appel


Consultor Financeiro, Conferencista, Especialista em Economia Doméstica e Direitos do Consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito – Editora Mundial e do Projeto para inclusão da disciplina "Educação Financeira nas Escolas".  
e-mail do autor: claudioboriola@boriola.com.br
 
 

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