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Comentarista: José Arthur Assunção
O Ano Novo da esperança

Dois mil e três promete ser um bom ano. Pelo menos, esperança é o que não falta aos brasileiros. Ainda mais agora que começamos a perceber que o discurso de campanha do Presidente Lula não foi somente “jogada de marketing”.

O ministério empossado foi escolhido de forma impecável. Mescla nomes como os de Antonio Palocci, na Fazenda, que promete austeridade e Cristóvam Buarque, na Educação, um dos mais preparados na área, fora o novo Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, recebido de forma entusiástica pelo mercado financeiro.

O novo governo já renovou as promessas: superávit primário, austeridade fiscal, cumprimento dos contratos, combate à inflação e câmbio flutuante. Como objetivo para o primeiro ano de governo, também inclui as reformas tributária, previdenciária, trabalhista, política e agrária.

Após alguns meses de estagnação, as boas notícias começam a aparecer. A produção industrial acaba de registrar alta de quase 2% no ano. Esse bom resultado se estendeu por todas as categorias da indústria. São Paulo teve a primeira taxa positiva depois de cinco meses de queda. Foi o melhor resultado em 17 meses.

Por sua vez, o comércio também vem apresentando crescimento, com destaque para os setores de combustíveis e lubrificantes. Alguns shoppings, que foram expandidos em 2002, apresentaram crescimento de até 25% nas vendas do Natal.

E se o comércio e a indústria estão em franca recuperação, o que dizer da agricultura, que nos dará um novo recorde de grãos em 2003? Vem sendo a mola-mestra de nossa economia nos últimos anos.

Mas como estávamos há um ano atrás? No início do ano passado, todos esperávamos por uma estrondosa recuperação da economia mundial. Mesmo após a queda das torres gêmeas em Nova York, os sinais de recuperação eram nítidos. O dólar, que aqui no Brasil, chegou a R$ 2,83 nos dias seguintes ao atentado, abriu 2002 no patamar de R$ 2,30. Como falei, 2002 era para ter sido de crescimento. Mas, ao contrário do que todos previam, foi um ano muito difícil.

Infelizmente, a recuperação não aconteceu nem nos Estados Unidos, nem na Europa, nem no Brasil. Poucos países se salvaram, dentre eles a China. Os Estados Unidos, a grande locomotiva da economia mundial, tiveram um crescimento pífio. Triste sina para os países emergentes como o Brasil, que passaram a contar cada vez menos com investimentos estrangeiros.

Contribuíram para este cenário difícil as fraudes das auditorias norte-americanas que desencadearam uma crise de credibilidade sem precedentes no mercado corporativo.

No Brasil, as boas expectativas foram deixadas de lado quando percebemos que a crise argentina passou a ter reflexo forte sobre nossa economia. O processo eleitoral também teve influência importante na crise brasileira. O dólar chegou à inimaginável marca de R$ 4. Hoje, o dólar gira em torno de R$ 3,50, com tendência de queda. A bolsa subiu novamente: já está perto dos 12 mil pontos e o risco-país baixou vem baixando a cada dia. Voltaremos, em breve, ao patamar habitual de 600 pontos. O pessimismo do mercado começa a ser trocado pela razão.

O que vem acalmando o mercado é a boa atuação do Presidente Lula. Seu primeiro discurso, ainda como presidente eleito, combinou declarações a favor da atual política econômica com o lançamento do Programa Fome Zero. O mercado ficou satisfeito: os contratos serão respeitados. E os eleitores também ficaram satisfeitos: afinal, desde o início do governo, vai ser combatida uma das grandes mazelas sociais: a fome.

Mas não tenhamos ilusões. O caminho do novo Presidente vai exigir muita firmeza. O primeiro ano do governo Lula será muito difícil. Mas o importante é que ele vai respeitar os contratos. Estou certo de que não irá decepcionar o País. Fica a sensação de que se Lula conseguir realmente conciliar uma eficiente política econômica com os avanços sociais almejados pela sociedade, poderá fazer o melhor governo que este país já teve.

Vamos esperar com otimismo 2003. Que seja melhor que 2002! Ou, parodiando Gonzaguinha, que a vida seja melhor e será. E, que apesar de ser um partido de esquerda, o PT entre com o pé direito no novo ano. Estou torcendo e levando muita fé no Governo Lula.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira  
e-mail do autor: jala@asb.com.br
 
 

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