Consumir, consumir e consumir: uma questão de educação e controle
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Quando falamos em consumir, precisamos esclarecer dois enfoques que podem ser dados a este comportamento. Consumir enquanto ato de comprar através de cartão, dinheiro, duplicatas etc, referindo-se aqui ao comportamento de escolha de algo em um ponto de venda e decisão de levá-lo para casa através de um pagamento imediato ou parcelado; mas ao adquirimos um bem ou serviço, também estamos consumindo no dia-a-dia na relação que possuímos com ele. A forma como lidamos com este bem ou serviço mostrará se estamos consumindo corretamente ou não; daí temos algumas resultantes que são:
Desperdício – gerado pelo uso sem proveito, inadequado do bem ou serviço, ocasionando perda, sobras.
Redução – do tempo de vida do bem, com isso gerando mais gastos desnecessários.
Supérfluo – o que vai além da necessidade e pode interferir no equilíbrio da renda por ter sido um gasto a mais e que poderia ser dispensável.
No final das contas, o que se está perdendo na realidade é o dinheiro tão suado de se ganhar ao final de cada mês. Vivemos em torno de consumo continuamente, a cada centésimo de segundo de vida estamos consumindo direta ou indiretamente e, diante dessa realidade precisamos obter os melhores resultados do que escolhemos levar para casa, bem como melhor distribuir nossa renda, buscando sempre maximizar a utilização dos bens e serviços e minimizar os custos e as perdas com os mesmo.
Diante disso, o papel do Código de Defesa do Consumidor vai além de preservar direitos e deveres do consumidor, mas amplia-se a responsabilidade de cada um de nós, cientes dele e de mudar os nossos comportamentos. Sem essa condição, de nada adianta ter um dos melhores códigos de defesa do consumidor do mundo.
Tomemos aqui como base os SERVIÇOS: consumos diários que nem percebemos, mas fazemos continuamente. Sempre estamos consumindo uma série de serviços que por vezes passam despercebidos e, que por não utilizarmos da melhor maneira, desperdiçamos, perdemos, mas no fim do mês, tenha certeza, PAGAMOS por eles, utilizando corretamente ou não, em seu favor ou não.
Dentre os vários serviços que utilizamos, temos:
• água;
• luz;
• esgoto e saneamento;
• energia pública;
• parada de ônibus;
• sinalização de rua;
• trânsito;
• serviços públicos;
• telefone convencional e celular;
• limpeza urbana e muitos outros.
No dia-a-dia, tudo isso faz parte de nossas vidas de alguma forma e precisamos repensar como utilizamos cada um desses, pois caso contrário, estaremos pagando pelo que não estamos tendo o verdadeiro retorno, ou então podemos estar utilizando de forma inadequada um desses itens e perdendo muito. Por exemplo:
- no caso da água, desperdiçando, deixando torneiras e chuveiros abertos sem necessidade, além de ser mais um a proporcionar o desequilíbrio ecológico. Lembro aqui que é de “grão em grão que a galinha enche o papo”, assim, cada um tem de fazer a sua parte, onde todos irão ganhar no fim das contas;
- com relação à luz, fazer uso adequado, na hora adequada, evitando deixar luzes acesas em ambientes que não estejamos utilizando naquele momento;
- com relação a esgoto e saneamento, não somos responsáveis pela execução dos mesmos, mas somos responsáveis por sua manutenção correta, principalmente no que diz respeito a jogar menos lixo nas ruas, evitando problemas de entupimento quando se chove, o surgimento e proliferação de animais que trazem doenças e, mais uma vez, agredir a natureza;
- no que diz respeito ao trânsito, não interessa se você é pedestre ou tem veículo, deve ficar alerta às leis, pois elas orientam, mas também punem caso você não as cumpra;
- telefonia é outro grande problema quando não bem utilizado: para verdadeiramente reclamar, tem que primeiro pagar.
Cito aqui apenas alguns dos muitos e muitos serviços que estão dentro de nossas vidas, cabendo a cada um de nós buscarmos preservar, ciente de que são resultantes dos nossos investimentos e impostos, proporcionando mais satisfação pessoal e no mundo, agindo como cidadãs e cidadãos éticos e responsáveis.
Oriente e dê você primeiro o exemplo antes de cobrar que o outro faça, que o outro limpe, que o outro economize. Dar o exemplo é a melhor forma de educação e geração de um mundo melhor.
Revisão e edição: Renata Appel
Psicóloga, Pós-Graduada em Psicoterapia Transpessoal Budista Tibetana, com Formação na Índia; Dinâmica de Grupo na Empresa; Administração de RH com Formação em Empreendedorismo em Lisboa, Portugal. Curso de Psicologia Reconhecido e Habilitado em Portugal pela Universidade Aberta; Professora Universitária há mais de 17 anos; consultora empresarial nas áreas de Comportamento Humano, Marketing de Relacionamento, Comportamento do Consumidor e Qualidade de Vida nas Organizações; escritora, entrou em 2006 para o Rank Nacional de Recordes por ser a autora que mais lançou livros em uma única noite de autógrafos (8): "Quer ser empreendedor: siga estas dicas..."; "Socorro: estão levando meu R$"; "Ame-se mais"; "Aprendi que na vida..."; "Recordações"; "Reflexões que fortalecem"; "O que nós mulheres esperamos de vocês homens" e "A miopia do amor"); colunista no site www.necessaire.com.br (coluna: CONSUMO & R$); personal trainer em processos de como perder o medo de falar em público e palestrante Nacional.
e-mail do autor:
anarique@anarique.net
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