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Comentarista: Marilice Costi
Embalagens plásticas: consumidor responsável?

Assuntos que se repetem não nos interessam. Assim como as barbáries, as guerras, as migrações na procura de territórios necessários para que nos sintamos inteiros, pertencentes, existentes, enraizados, e não ao sabor dos tufões. A repetição cansa e dessensibiliza. Com o lixo é a mesma coisa.

Os apelos ao consumo são tão intensos que mesmo tendo a capacidade de compreender, criticar e mudar comportamentos, criamos lixo. Todos os dias. O melhor seria fazer valer a frase: tudo se transforma. Mas se transforma em que?

Somos todos responsáveis por dejetos, matérias contamináveis (pilhas, baterias, sangue, registros de raios-X), entulhos de obras e outros tantos. E tudo precisa de embalagem.

Procure imaginar o peso: uma sacola nem move o marcador de uma balança comum. Uma tonelada de sacolas é uma imensa montanha. Imagine a quantidade de plástico produzido (210 mil toneladas no Brasil): cerca de 10% do lixo do país.

Inicialmente utilizadas apenas para coleta de lixo, passaram a substituir as de tecido e de papel. E tudo passou a receber proteção: equipamentos, malas, roupas, alimentos, remédios e tantos outros materiais. Os lixões urbanos estão cheios de sacolas a contaminar o solo. Por ser um plástico muito barato, o filme das sacolas não tem muito valor na reciclagem.

As sacolas passaram a ter outras funções: publicidade. Divulgam gratuitamente produtos e empresas, passaram a ser marcas e estímulos para o consumo. A rotina é tal que se comprarmos sacos plásticos eles serão embalados com outro saco plástico, para demonstrar que compramos na loja tal.

Produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD), o material – do qual são feitas sacolas – precisa de um século para degradar. O que faremos quando o não houver mais como salvar o solo? Quando, no meio do lixo, baratas, ratos e outros proliferarem resistentes a tudo?

Para pensarmos e nos posicionarmos, o que falta? Até que ponto estamos sendo omissos, até que ponto induzidos? O que estamos esperando para recusar embalagens? Não precisamos tantas, devolvemos aos empacotadores. Uma cadeia de comportamento positivo – tal como um vírus da consciência ambiental – depende de cada um de nós.

A legislação existente referente a lixos é uma das melhores. Mas quem fiscaliza? O concurso para arquitetos da SSMA do Estado do Rio Grande do Sul exigiu conhecimento de normas importantes quanto ao controle de diversos tipos de lixo. Assunto muito grave e que só aparece quando há greve dos lixeiros, ou contaminação, como foi com o césio. Ou quando epidemias ocorrem. A peste, após a tomada da Bastilha, ocorreu porque ninguém mais cuidava das cidades. Os esgotos, os lixos acumulados. Os vetores de doenças proliferando. O poder público e privado tem muito a fazer. Alterar a produção e impedir maior desemprego. Desafios, buscar rotas novas para o problema, o diálogo com a sociedade, a conscientização, mais pesquisa.

Além disto, os aterros e os lixões estão no total limite. As áreas ficam degradadas, gases intoxicam os catadores, enfim, um enorme problema. Na capital paulista, são 18 mil toneladas só de lixo domiciliar: 18% é plástico. Toneladas que durarão 100 anos para degradar. A cada dia, em escala crescente, passa a ser um problema insolúvel.

A troca de sacolas de plástico por outras de pano também vem sendo estimulada por prefeituras do RS. Outras possibilidades seriam reciclar ou facilitar a degradação do plástico, o que seria dado através de aditivos agregados a ele ou através da mudança de sua composição.

Minha mãe fazia bolsas de tecido com retalhos de suas costuras e dava para todos. As sacolas não estragaram, nem envelheceram, porque, substituídas que foram pelas de plástico, sumiam de nossas vistas carregando os nossos detritos. Viramos todos “plasticólatras”? Ou estamos atrasados?

Na Alemanha, a “plasticomania” deu lugar à “sacolamania” (cada um levando sua própria sacola). Quem não anda com sua própria sacola a tiracolo para levar as compras é obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plásticos. O preço é salgado: o equivalente a 60 centavos a unidade. A guerra contra os sacos plásticos ganhou força em 1991, quando foi aprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens a aceitarem de volta e a reciclar seus produtos após o uso. Os empresários repassaram os custos para o consumidor. Na Irlanda, desde 1997, paga-se um imposto de 9 centavos de libra irlandesa por cada saco plástico, multiplicando o número de irlandeses que vão às compras com suas sacolas de pano, de palha ou mochilas. A meta de uma rede de supermercados inglesa era emplacar em 2008 com pelo menos 2/3 de todos os saquinhos feitos de material que se decompõe 18 meses após descarte. Com um detalhe: mesmo sem contato com a água, o plástico se dissolve, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza.

O Rio Grande do Sul é responsável por 5 milhões de lâmpadas fluorescentes usadas, quem contaminam milhões de metros cúbicos de água potável. O alerta foi dado por IPOA Ambiental numa audiência pública. O mercúrio contido nos bulbos é altamente contaminante. Mas como proceder com as lâmpadas usadas? Quem sabe como fazer? Para onde encaminhá-las?

A única iniciativa de regulamentar o que hoje acontece de forma aleatória e caótica foi rechaçada pelo Congresso na legislatura passada. O então deputado Emerson Kapaz foi o relator da comissão criada para elaborar a "Política Nacional de Resíduos Sólidos". Seu projeto apresentava propostas para a destinação inteligente dos resíduos, a redução do volume de lixo no Brasil, e definia regras claras para que produtores e comerciantes assumissem novas responsabilidades em relação aos resíduos que descartam na natureza, assumindo o ônus pela coleta e processamento de materiais que degradam o meio ambiente e a qualidade de vida. Mas o projeto elaborado pela comissão não chegou a ser votado. Nem se sabe quando será. Por isto, nas próximas eleições, escolha bem seu candidato, verifique o seu comprometimento com a qualidade de vida, sua postura ética, sua visão ambiental e sua atuação efetiva.

Quem sabe passamos a fazer a nossa parte? Avalie o lixo que você produz, converse com seus vizinhos, participe das reuniões de condomínio, conheça os coletores. Faça a sua parte, crie parcerias. Convoque os amigos, a família, procure alternativas. Se ainda há tempo para reverter o quadro, o que fazer? Não perca tempo esperando apenas que o poder público faça sua parte, pois o que fazemos hoje será o legado de nossos filhos e netos.

Que tal declarar guerra contra a “plasticomania”? Devolver os sacos desnecessários? Se existem leis, regulamentos, normas para a gestão dos resíduos sólidos que sejam implementadas. Que exista fiscalização. Se há muitos interesses em jogo, qual é o nosso? Qual é o seu?

Entre os dias 13 e 16/02, ocorre em Porto Alegre a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento de Cidades. Serão centenas de pessoas a discutir projetos e alternativas de sustentabilidade. E ela passa pela coleta do lixo, pela educação, pelo poder de polícia e de conscientização das comunidades, por um trabalho de formiguinhas, um comportamento consciente e responsável com a Terra. Faça a sua parte.

Revisão e edição: Emily Canto Nunes


Escritora, Arteterapeuta, Mestre em Arquitetura, Consultora. Site: www.sanaarquitetura.arq.br  
e-mail do autor: marilice.costi@sanaarquitetura.arq.br
 
 

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