Área de equipamentos médicos exige desenvolvimento industrial
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Semanalmente, são divulgados os freqüentes e contínuos avanços das áreas médica, hospitalar e odontológica. As novas descobertas se dão não apenas no aspecto biológico e em novos processos de cura, mas também no que se refere às tecnologias em equipamentos e em processamento de materiais, em especial resinas plásticas utilizadas na fabricação de produtos voltados à melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Os segmentos ligados à saúde exigem investimentos em pesquisas constantes e eficiência industrial. Um dos grandes desafios dos pesquisadores e indústrias de produtos médicos é reduzir a rejeição por materiais que entram em contato com o organismo. O aperfeiçoamento e desenvolvimento de materiais biocompatíveis e hemocompatíveis fazem a diferença na hora de salvar vidas.
O aumento da expectativa de vida torna ainda maior a necessidade de se fabricar produtos mais duráveis, de melhor qualidade e de maior nível de bio e hemocompatibilidade. Estudos em todo mundo levam ao desenvolvimento de novos dispositivos, com o aprimoramento das propriedades das resinas plásticas e das tecnologias de fabricação, que melhorem a qualidade dos componentes, aumentando sua vida útil.
O domínio de técnicas de processamento e transformação das resinas plásticas interfere na qualidade dos produtos, pois requerem cuidados especiais, não somente pela aplicação dos componentes, como também pelas características técnicas dos materiais, máquinas e dispositivos especiais. A adoção e prática destes procedimentos aliadas ao ambiente apropriado – como salas limpas isentas de qualquer tipo de contaminação – são essenciais e exigem cuidados extremos na manipulação de materiais e operação de equipamentos, com regras rígidas de assepsia e tratamentos especiais para máquinas e materiais produtivos.
Não apenas por questões éticas e humanitárias, este segmento tem importância também no aspecto econômico. De acordo com dados apresentados no Fórum de Biotecnologia e Biomateriais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o setor movimentou mais de US$ 40 bilhões em 2005, com crescimento de 12% ao ano. Segundo a Associação dos Fabricantes de Produtos Médicos e Odontológicos (Abimo), o faturamento do setor no Brasil atingiu R$ 6,7 bilhões em 2006.
Os plásticos são utilizados em todas as áreas da medicina, com aplicações cada vez mais sofisticadas e complexas, como bolsas para sangue, luvas descartáveis, peças para respiradores ou aparelhos de anestesia, instrumentos cirúrgicos e implantes. Passando por materiais absorvíveis, entre outros, as resinas estão presentes em cerca de 300 mil itens utilizados na área médica, indicados para todas as partes do corpo.
Estudos avançam também na produção de resinas desenvolvidas especialmente para o fim a que se destinam, com propriedades e aditivos específicos para determinada aplicação. Mas ainda há muitos caminhos a percorrer. O emprego de resinas plásticas é fundamental na evolução da área de componentes médicos, pois permite elevar a funcionalidade dos produtos e reduzir o custo de produção dos mesmos. E as indústrias têm um papel decisivo neste processo. Vale lembrar que muitos desses itens nem sequer poderiam ser fabricados em outros materiais.
Revisão e edição: Renata Appel
Vice-Presidente da Unipac.
e-mail do autor:
marcos.ribeiro@unipac.com.br
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