Parcimônia faz mal?
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Ao reparar que tantos analistas econômicos reclamam do termo parcimônia, que sempre é utilizado nas atas do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), fui ao dicionário para me certificar do que se trata exatamente a palavra. Pois bem, parcimônia nada mais é do que sobriedade ou moderação. Ok! Dirimida a dúvida, pus-me a analisar, com cuidado, a ata da última reunião do Copom e enxerguei um tom bastante otimista com análises equilibradas sobre o cenário atual da economia brasileira. E, mesmo quando se toca na palavra parcimônia, o tom é ameno, ressaltando apenas uma preocupação com a inflação, que apesar de vencida para mim, nunca deve ser desprezada pela autoridade monetária, que tem o único e importante papel de defender a moeda custe o que custar.
O BC deixou claro que a qualquer sinal de repique da inflação por conta de fatores externos ou mesmo pelo aquecimento interno da economia, o Copom não abrirá mão de adequar a política monetária a essa nova realidade. E essa parcimônia do Copom é totalmente justificável pela expectativa de inflação para 2007, que apesar de, nas projeções do mercado, seguir dentro da meta, poderá sofrer influência de um ritmo maior do crescimento econômico interno, já que os efeitos da política monetária são sentidos alguns meses depois somente.
O BC vem, aos poucos, desarmando toda a memória inflacionária e pondo fim à famigerada indexação da economia sem congelamentos ou qualquer outra medida heterodoxa como no passado. Então, temos que continuar acreditando nessa política econômica, que não é desse governo nem do próprio BC. É do Brasil. A ata é clara quando diz que o Colegiado preferiu um corte de 0,5% a um de 0,25, porque julgou que uma queda de maior magnitude seria perfeitamente plausível com a meta de inflação para este ano, que já estaria assegurada. Diante do corte de 0,5%, acima das projeções do mercado, a expectativa da taxa Selic para o final do ano teve que ser revista. Aposto num cenário em que o BC faça um novo corte de 0,5 na próxima reunião e outro de 0,25 em novembro. A taxa básica fecharia o ano então a 13,5%.
É interessante verificarmos que, com toda a crise externa nos últimos meses e com a alta excessiva do petróleo no mercado internacional, o Brasil obteve elevação na classificação de risco segundo avaliação de 3 grandes agências internacionais e que o risco-Brasil se consolidou numa faixa próxima aos 200 pontos, menor patamar de toda nossa história. E considerando que entramos definitivamente num círculo virtuoso, vejo, num futuro bem próximo, taxa de juros real por volta dos 5%.
Fica, no ar, então a pergunta: parcimônia faz mal?
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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