Empréstimo para quê?
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Hoje, eu quero falar com você que está passando por uma crise financeira. Aliás, quem nunca passou por uma, não é mesmo? É muito comum ver pessoas tomando atitudes precipitadas quando está numa situação como essa. Por isso, é preciso muita calma para não se complicar ainda mais. Vejo muita gente lançando mão de empréstimos para pagar outras dívidas, acreditando que, desta forma, ganham um pouco mais de tempo para resolver o problema. Pura ilusão. Sei que a perspectiva de usar o valor de um novo empréstimo para pagar uma dívida acumulada é tentadora. Mas, na prática, esta decisão é desastrosa, pois você paga a dívida anterior, mas continua não tendo recursos para arcar com a nova dívida. E daí os atrasos de pagamento recomeçam. É uma bola de neve!
Crédito não é para ser usado dessa forma. Você deve pegar um empréstimo quando quer realizar algum sonho de consumo, como um carro, uma casa ou um eletrodoméstico, por exemplo, e não pode fazê-lo à vista. Mesmo assim, você deve colocar tudo na ponta do lápis para se certificar de que as prestações cabem no seu bolso, não ultrapassando os limites do seu orçamento.
Um empréstimo também pode ser tomado para resolver uma urgência como doença na família, por exemplo. Você é pego de surpresa e, normalmente, nestes casos nunca se está preparado para arcar uma despesa hospitalar grande. Aí não tem jeito: ou pega empréstimo para pagar a despesa ou fica sem atendimento. Mas recorrer ao crédito quando se está atolado de dívidas na praça não é recomendado. Não se deve fazer empréstimos na hora do desespero do endividamento. Ao contrário, é preciso elaborar um plano para pagar as dívidas que você já possui. Por mais endividado que você esteja, sempre existe uma maneira de resolver a situação.
Uma dica importante é procurar a empresa ou pessoa a quem você deve e explicar sua situação. No caso das empresas, a maioria delas está sempre aberta à renegociação de dividas. Se você estiver devendo a algum conhecido, a sinceridade é sua melhor aliada nessas horas. Explique sua situação e deixe claro que vai pagar a dívida, mas que precisa de um tempo maior. Não fuja do seu credor – isso só piora a sua imagem diante dele. Vai achar, com toda razão, que você é “caloteiro” mesmo. Nunca meta os pés pelas mãos. Não tome atitudes que só vão aumentar sua dívida.
E lembre-se: daqui por diante, a palavra de ordem é planejamento. Afinal, a crise sempre deve deixar uma lição. Quando você passar a se planejar, pode ter certeza que dificilmente ficará endividado novamente. Mas isso já é assunto para um outro artigo.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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jala@asb.com.br
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