Recebendo cerca de 150 releases diários de todo o Brasil e do mundo (e aproveitando em torno de 30 a 40 por semana), foi possível produzir algumas dicas de suma importância aos jornalistas assessores de imprensa, visando facilitar o trabalho dos jornalistas editores e administradores de veículos impressos e eletrônicos. Lidas com carinho e aplicadas no trabalho aumentarão consideravelmente sua qualidade e conquistarão a aliança dos
publishers:
• Para começar, evite, sempre, "micos ortográficos". Na dúvida quanto à grafia de quaisquer vocábulos, não hesite em consultar o dicionário ou o que estiver mais perto, como o Google.
• “Maiores informações” – isto não existe; é, simplesmente, “mais informações”.
• Não é necessário colocar o título do release em caixa alta.
• Cuidado também com espaços duplos, triplos, quádruplos, etc, além de espaços em excesso ao final de cada parágrafo.
• Parágrafos curtinhos não são uma boa idéia. Seccionam o texto, passam uma má impressão. Exceção: artigos.
• Cuidado com pontuação e acentuação. Uma dose extra de atenção nunca é demais. O mesmo vale para palavras no plural, gêneros e concordância nas frases. No caso de aspas, a pontuação deve ser colocada após o fechamento.
• Plural não tem nada a ver com uso de apóstrofe. Já vi coisas do tipo
SAC’s (como plural de
SAC, que é Serviço de Atendimento ao Consumidor) e
Procon’s. Esse tipo de uso não existe. É
SACs,
Procons, etc.
• Falando em dose extra de atenção... nada pior do que ler frases sem sentido, com expressões obviamente erradas ou informações imprecisas/errôneas – isso denota que o release foi escrito de forma distraída e “queima o filme” do assessor de imprensa.
• Concordância verbal – um circunflexo ou um acento agudo fazem toda a diferença!
• Construção frasal – leia em voz alta para ver se soa com sentido, e assim você descobrirá o erro na forma como a frase foi construída. Isso também serve para empregar vírgulas e travessões da maneira mais correta possível.
• Crase – se você não sabe a regra, eis um link muito interessante, que deve ser estudado e jamais esquecido:
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=gramatica/docs/crase2.
• Não se usa artigo após cuja, cujo, cujas, cujos, pois ele já está contido no próprio pronome. Link muito interessante sobre o pronome cujo x regência (vale a pena uma lida):
http://www.portalodia.com/coltxt_anteriores.asp?CAT_ID=65&ID=3489.
• Pronomes demonstrativos – estude este link para evitar erros bobos:
http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=1&cod=39.
• Não se usam pronomes de tratamento do tipo “Sr. Fulano”, “Sra. Beltrana”, “Dr. Sicrano”... Se a pessoa é doutora (médica, por exemplo), ao invés de grafar “Dr. Fulano de Tal”, use “o médico Fulano de Tal”.
• Fuja da redundância. Não repita palavras já mencionadas em frases recentes. Não registre informações mais de uma vez no mesmo release.
• Jamais use vírgula entre o sujeito e o predicado da oração, seja ele simples, seja composto (vários itens separados por vírgula – quando chega no último, chega de vírgula, entra o verbo).
• Após o uso de um travessão, especialmente quando em tópicos/subdivisões, é desejável iniciar a frase com letra minúscula. Note também se você não está grafando hífen ao invés do travessão mesmo.
• A palavra “internet” se integrou como substantivo à língua portuguesa, ou seja, deve ser iniciada com minúscula.
• Outra: "orkut" se escreve assim, todo em minúscula mesmo. O "Orkut", começando por maiúscula, é um nome próprio, o do inventor dessa famosa rede de relacionamentos; a "criação" dele deve ser escrita toda em minúsculas (claro, a não ser que esteja em início de frase, sem artigo antes...).
• Prefira
das 9h às 18h a
das 9hs às 18hs e
8h30min – basta
8h30.
• Jamais escreva em primeira pessoa ou no tempo imperativo (no caso de artigos, a exemplo deste, tudo bem) – troque por infinitivo ou deixe o verbo reflexivo.
• Neologismos – não se aventure nessa. A não ser nos casos de pautas científicas, técnicas, médicas, etc, onde os editores podem descobrir referências no Google, esqueça palavras que não estão no Aurélio...
• Não use gírias.
• Por mais que possa parecer irresistível, não estabeleça posicionamento pessoal no texto.
• Se você tem medo de usar mesóclise, troque a expressão por um verbo no futuro – do presente ou do pretérito, dependendo da frase (exemplo: ir) + o pronome + o verbo que está sendo utilizado. Exemplo:
Errado – A cooperação se dará por meio da realização conjunta de estudos.
Certo – A cooperação dar-se-á por meio da realização conjunta de estudos.
Alternativa para quem não gosta de mesóclise – A cooperação irá se dar por meio da realização conjunta de estudos.
Não se usa pronome oblíquo antes de verbo conjugado no futuro (futuro do presente ou futuro do pretérito do indicativo) – isto é regra gramatical – e é aí que a mesóclise (ou alternativa apresentada) entra.
Se existe a presença do pronome relativo “que” ou do advérbio "não", por exemplo, antes do pronome oblíquo, não há mesóclise:
A cooperação que se dará por meio da realização conjunta de estudos será de suma importância.
• Este pode parecer bobo, mas já vi mais de uma vez e vale o registro:
Errado – há cerca de um mês atrás
Certo – há cerca de um mês
ou cerca de um mês atrás
• “País” – inicial maiúscula quando designar o Brasil e não houver determinativo. Exemplo:
O País conseguiu avançar muito.
Em minúsculas:
nosso país, este país ou neste país (mesmo que se refira ao Brasil)
o país – qualquer outro que não seja o Brasil
• As frases sempre devem ter sujeito e predicado, ter verbo, completar uma idéia... Se quer colocar um “adendo” à frase, inclua um travessão ou uma vírgula e, só aí sim, o ponto final. Por exemplo:
Ao invés de:
É uma ótima sugestão de presente. Um presente diferente e criativo.
Use:
É uma ótima sugestão de presente, diferente e criativa.
O modo da primeira opção fica parecendo texto publicitário, deixando o ritmo da matéria lenta e reflexiva – e não é isto que queremos. O leitor deve se informar com agilidade.
• Funções/cargos vêm antes dos nomes. Exemplo:
Errado – Fulano de Tal, Diretor da XYZ...
Certo – O Diretor da XYZ, Fulano de Tal...
(Notas: por questão de estilo pessoal, uso início de letra maiúscula para alguns cargos empresariais, com o intuito de destacar o nome e a função;
se após a função vier toda uma explicação sobre a entidade/empresa, tudo bem o nome vir antes, pois fica meio estranho "o Diretor da XYZ, Fulano de Tal, empresa que faz A, B, C e D".)
• Siglas e geração de novas palavras:
- Tudo em letra maiúscula quando são formadas pelo início de cada nome. Exemplo:
Organização
Mundial de
Saúde =
OMS
- Somente o início maiúscula quando a palavra é resultado da fusão de outras. Exemplo:
Associação
Nacional para
Garantia dos
Direitos
Intelectuais =
Angardi
* Nunca se esqueça de desdobrar as siglas! Muita gente não conhece a maioria delas!
• Simplicidade é muito importante – usar caixa alta, usar capitular, separar partes do texto e colocar dentro de tabelas são apenas alguns exemplos de hábitos estilísticos que só servem para dar mais trabalho ao revisor na hora da edição.
• Envie imagens para ilustrar sua matéria e, no caso de produtos, amostras dos mesmos para que publiquemos os lançamentos tendo conhecimento e aprovação.
• Por fim, manuais de redação e estilo para jornalistas são ferramentas imprescindíveis para assessores de imprensa, redatores e editores – leia e estude 2 ou 3 do início ao fim e, depois, mantenha-os sempre à mão para prestar suporte ao seu trabalho. Particularmente, não vivo sem. Erros, todos estamos sujeitos a cometer – se todos se ajudarem, tudo melhora!