BC acelera ritmo de queda da Selic
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Uma das mais importantes atribuições de um Banco Central é a de defender a moeda com o menor prejuízo possível para o Produto Interno Bruto do país. E é isso que o nosso BC vem fazendo ao longo dos últimos anos e com extrema competência.
A inflação brasileira já está em níveis de primeiro mundo e o nosso PIB, apesar de ainda não ter apresentado tanta pujança, promete ficar na casa dos 4,5% a 5% esse ano. Não é nenhum crescimento chinês, é bem verdade, mas já é um avanço significativo.
Pois bem, chegamos novamente a mais uma reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). O colegiado, nas últimas três reuniões, decidiu por cortes de 0,25%, até porque, segundo as atas divulgadas, o impacto da queda dos juros, desde meados de 2005, ainda não foi digerida completamente, o que poderia comprometer, em algum momento, a meta de inflação, caso a demanda na economia aumentasse de forma descontrolada.
Tudo isso é verdade. E o voto de confiança no BC é renovado pelo presidente da República a cada reunião do Copom. Mas, dessa vez, vai ser difícil o Copom explicar uma queda na Selic menor que 0,5%. Existem índices que já estão vindo até com deflação. E a meta de inflação determinada pelo Ministério da Fazenda será cumprida com relativa folga esse ano, isto se não ficar abaixo do piso da meta, como já tem gente no mercado prevendo.
Como já disse, o PIB brasileiro vai ser mais pujante esse ano, mas tem potencial para mais, muito mais. Não seria nada excepcional passarmos a ter taxas de 6% a 7% ao ano. Isso é perfeitamente possível diante do cenário atual e, o melhor, com inflação totalmente sob controle.
Também não será o fim do mundo se a queda da Selic for novamente de 0,25%. Mas o BC estaria perdendo um bom momento para dar uma acelerada mais forte no produto interno.
Sabemos que o BC dispõe de dados sempre atualizados e que são primordiais na decisão do colegiado. E, como esses dados não são totalmente do nosso conhecimento, às vezes cometemos algumas injustiças nas nossas críticas, principalmente, as centrais sindicais e o empresariado.
Contudo, mesmo ao ressaltar que o BC dispõe de dados que nós, simples mortais, não dispomos, não vou ficar em cima do muro, não. Para mim, a queda da Selic será de 0,5%, o que vai marcar o reinício do processo de aceleração da queda dos juros até o final desse ano. Tem gente prevendo taxa básica inferior a 10% no final desse ano, o que levaria os juros reais (taxa Selic descontada a inflação) para níveis jamais vistos no Brasil.
Como sempre, a reunião do Copom dessa 4ª feira será muito difícil e desgastante. Creio que o placar será novamente apertado como aconteceu em abril. Mas o resultado, para mim, não será outro senão a queda de 0,5%. Ou seja, a partir de 5ª feira, dia 07/06, o Brasil passará a trabalhar com a inédita taxa de juros de 12% ao ano. Ainda é alta, eu sei, mas para quem já conviveu com juros estratosféricos, estamos caminhando, a passos largos, para o tão sonhado Investment Grade.
Revisão e edição: Emily Canto Nunes
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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