Comentários em Real Player.
acesse
 
Confira aqui os dias e horários do Consumidor-RS.
 
 
Deixe aqui sua reclamação ou dúvida quanto a seus direitos como consumidor. Nossa assessoria jurídica responderá o mais breve possível.
 
   
Este espaço é seu: deixe suas sugestões, opiniões e recados!  
  Receba por e-mail as principais notícias e novidades da semana!  
assine
  Pesquise no nosso banco de notícias
 
  pesquise  


Comentarista: Istvan Kasznar
Cobremos do BC meta de inflação

Um dos principais papéis do Banco Central é o de preservar o valor da moeda. Por isso, ninguém deveria cobrar da autoridade monetária uma taxa de PIB maior. Esse assunto deveria ser tratado com a Fazenda, o Planejamento e outros ministérios e poderes. O que devemos realmente cobrar do Banco Central é uma política eficaz, que produza uma taxa de inflação condizente com a meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional, e isso o BC vem fazendo de forma magistral.

O combate à inflação tem que ser contínuo. Ao menor sinal de liberalidade monetária, o rabo do dragão inflacionário reaparece e o custo de seu combate aumenta. A população já fez enormes sacrifícios nos últimos anos, as bases macroeconômicas melhoraram sensivelmente e, por isso, é hora de perseverar e buscar um caminho de estabilidade auto-sustentável. A recente política monetária demonstrou que quando há disciplina e ela perdura por um bom tempo, a inflação cai de verdade e isto é benéfico para o país. Mas para praticar uma boa política monetária é preciso calibrar com cuidado a taxa básica de juros, o que não é tão simples assim como, às vezes, nos parece. São muitas variáveis que se combinam e se descombinam numa velocidade grande. Supõe-se, de modo geral, que somente a conta juros nominais descontados da inflação basta para dizer se a taxa de juros real é apropriada para aquela economia.

No momento, a taxa de juros real brasileira é, de fato, muito elevada. Apesar de a Selic estabelecer um piso, a taxa paga por empresas que se financiam no capital de giro, por exemplo, pode ser de 45% ao ano ou até mais. A pessoa física então enfrenta taxas ainda mais complicadas no crediário, que podem ser de 6% a 10% ao mês. O BC, quando estabelece a taxa Selic, olha para o endividamento do país, todas as suas vulnerabilidades, a meta de crescimento, a meta de inflação, a taxa do recolhimento compulsório, o volume de circulante na praça, os gastos correntes do governo e a evolução dos investimentos, entre outros.

É deste mix que surge a negociação da taxa, o que pode contrariar os interesses de uma classe ou de um indivíduo no curto prazo, mas no plano geral deveria beneficiar a economia e todos os cidadãos, no médio e longo prazos, com sustentabilidade. Os distúrbios internacionais emblematicamente representados pela queda abrupta e repetida das bolsas de valores no mundo, a começar na China, somados à pressão doméstica por uma recuperação da produção, das mais baixas no mundo e com taxa de crescimento em 2006 de 2,9% ao ano, evocam tendências díspares, contraditórias e que convidam a autoridade monetária a agir naturalmente com cautela na hora de decidir a taxa de juros.

É preciso retomar o crescimento no menor prazo possível, pois a taxa de desemprego é elevada e a população sofre com as carências e fragilidades da estrutura pública e empresarial de oferta de bens e serviços. Mas não se pode esquecer, um só minuto, que o controle da inflação é condição número um para que o crescimento seja realmente sustentável. O crédito e o empréstimo aparecem como elementos fundamentais para o crescimento com sustentabilidade. Crédito bom é crédito barato; logo, com taxas de juros baixas e decrescentes.

Em tese, o bom banqueiro ganha no volume das operações e não numa operação isolada. Mas se o mercado de trabalho aumenta as taxas de desemprego, os riscos de calote, inadimplência e insolvência (perda de crédito) aumentam, e os prêmios de risco sobem, sem que se sinta tão bem a mudança marginal de uma política monetária. O juro cair em 0,25%, como na última reunião do Copom, pode não ser sentido na ponta. Logo, é preciso adotar múltiplas políticas, consistentes, para baixar os juros de tal forma que seu efeito se sinta na sociedade.

Além do mais, raras vezes na história do país se protelaram tanto os investimentos e os projetos de expansão econômica. Projetos sociais são vitais para uma sociedade que tem de conviver com uma péssima distribuição de renda e riqueza desde suas origens, e exigem por demais a participação do Estado e de ações públicas. O ato de trazer à cidadania os excluídos, que são mais de 36 milhões de brasileiros, mediante ações assistencialistas de longo prazo, é vital, mas sumamente caro. Custou perto de R$ 26 bilhões em 2006. Ajudou, mas não resolveu os dramas existenciais no curto prazo.

Por outro lado, deixou à deriva os projetos econômicos e empresariais geradores de PIB real, nos quais é inserida a classe média. Esta se sente abandonada e está estupefata com o que sucede na sociedade que se criou: as políticas públicas lhe parecem ineficientes, como as de segurança pública e combate à violência, educação, saúde e atendimento na rede hospitalar, entre outras, enquanto lhe atacham a maior carga fiscal do mundo, de 38,9%.

Desta forma, nem empresas, percebendo a mudança no poder aquisitivo de classes e no retorno esperado dos investimentos, nem novos empresários e micro-empresários, apresentam grande ímpeto e coragem em investir. O desemprego gera um batalhão de microempresários que assumem riscos não por opção, mas por falta de opção de se transformar em funcionários públicos. A máquina está inchando perigosamente e a capacidade de contribuição de uma sociedade tem seus limites.

Quando o presidente Reagan fez uma reforma tributária nos EUA e reduziu os impostos, a sociedade reagiu investindo mais, produzindo melhor e modernizando-se. Suas medidas dos anos 80 repercutem positivamente até hoje em dia na economia americana. No Brasil, a direção é oposta, e o cidadão comum é massacrado, num modelo que esqueceu os limites da capacidade contributiva e se aproveita da inércia das massas. Há beneficiados poderosos com o jogo distributivista de renda. Até quando vai essa inércia? É difícil prever. Pode durar meses, anos, décadas, mas dados os riscos e conflitos crescentes, o capital teme perdas e se retrai, e compara retornos com opções de investimentos no Exterior, como China, Índia, Rússia ou EUA. Com maiores atrativos à expansão lá fora, o capital local se torna raro, logo caro e residual. Os investimentos caem, o que, lá na frente, vai ser responsável por outros PIBs tão baixos ou menores que o de 2006.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente da Institutional Business, Economista e Conselheiro Econômico de diversas entidades, dentre Secif-RJ, ACREFI, Instituto Danneman e FEBRAFARMA.  
e-mail do autor: Istvan@ibci.com.br
 
 

Nossos comentaristas:
1. Adeli Sell
2. Aldemir Spohr
3. Alexandra Periscinoto
4. Alexandre Appel
5. Alexandre Diamante
6. Alvaro Trevisioli
7. Ana Cláudia Guimarães e Souza de Miguel
8. Ana Paula Simone de Oliveira Souza
9. Ana Rique
10. Andrea Cristina Sakata
11. Andrea Mente
12. Antonio Luís Guimarães de Álvares Otero
13. Augusto Paes Barreto
14. Benny Spiewak
15. Carlos Alberto Pescada
16. Carlos Eduardo Dantas
17. Carolina Memran Schreier
18. Chan Wook Min
19. Cláudia Domingues
20. Claudia Yamana
21. Cláudio Boriola
22. Conceição Clemente
23. Dalmir Sant Anna
24. Daniel Maranhão
25. Daniella Augusto Montagnolli Thomaz
26. Diego Lopes
27. Domingos Sávio Zainaghi
28. Eduardo de Oliveira Gouvêa
29. Emerson Kapaz
30. Eric Jean Peleias
31. Eric Slywitch
32. Eunice Casagrande
33. Fabiano Carvalho
34. Fábio Alexandre Lunardini
35. Fábio Lopes
36. Fernando Quércia
37. Gabriel Aidar Abouchar
38. Gilson Rasador
39. Giselle Ferreira de Araújo
40. Gislaine Barbosa de Toledo
41. Greyce Lousana
42. Grijalbo Fernandes Coutinho
43. Guilherme Iglesias
44. Hugo Cavalcanti Melo Filho
45. Istvan Kasznar
46. Joandre Antonio Ferraz
47. João Felipe Consentino
48. Jordão de Gouveia
49. José Arthur Assunção
50. José Eduardo Ribeiro Lima
51. Juliana Girardelli Vilela
52. Leôncio de Arruda
53. Lúcia Farias
54. Luciane Varela
55. Luciano Athayde
56. Luiz Fernando Lucas
57. Luiz Fernando Mussolini Junior
58. Luiz Renato Roble
59. Luiz Riccetto Neto
60. Marcelo Amorim
61. Márcia Trevisioli
62. Marco Antonio Sabino
63. Marcos Antonio Ribeiro
64. Maria Elisabeth de Menezes Corigliano
65. Maria Inês Arruda de Três Rios
66. Maria Lucia Benhame
67. Marilice Costi
68. Mario Ernesto Humberg
69. Mônica Cilene Anastácio
70. Mônica Miranda Franco Vilela
71. Natali Araujo dos Santos Marques
72. Newton Eduardo Busso
73. Paulo Antenor de Oliveira
74. Pedro Lessi
75. Pérsio Ferreira Rosa
76. Rafael Augusto Paes de Almeida
77. Rafael Motta e Correa
78. Rafaela Domingos Lirôa
79. Reginaldo Minaré
80. Régis Fernandes de Oliveira
81. Renata Appel
82. Roberto Monteiro
83. Rodnei Iazzetta
84. Rodrigo Barioni
85. Rodrigo Jacobina
86. Rodrigo Maitto da Silveira
87. Rosana Marques Neto
88. Rosely Lemos
89. Rubens Naves
90. Tom Coelho
91. Valdomiro Soares
92. Victor Polizzelli
93. Werner Kugelmeier
94. Ziara Abud

::Dicas para o consumidor::
© 2001 Consumidor RS...
Página Inicial Entrevistas Notícias Comentaristas Boletim Fórum Estadual de Defesa do Consumidor Variedades Consumidor RS recomenda
Parceiros Consumidor-RS
 > Quem somos
 > O que fazemos
 > Nosso compromisso
 Principais links de  interesse dos  consumidores
 Fale conosco. A sua  opinião é muito  importante para nós.
Como será seu comportamento de consumo neste final de ano em pleno momento de crise econômica mundial?
Vou seguir fazendo compras da maneira que sempre fiz todos os anos!
Terei mais cautela na hora de comprar, com preços e formas de pagamento.
Vou comprar e gastar o mínimo possível!
Estou alheio(a) a este tema./O assunto não me preocupa.