Queda contínua da Selic precisa ser comemorada
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A queda gradativa e continuada da taxa Selic desde meados de 2005 é muito mais importante do que a magnitude dos cortes promovidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) desde então. Foram sete pontos percentuais de cortes nos juros. A taxa, que era de 19,75% ao ano, hoje está em 12,75% e, o que é melhor, com tendência de queda durante todo este ano e também no próximo.
Entendo os motivos que levaram o Copom a optar pelo corte de apenas 0,25% na taxa Selic na última reunião do colegiado. Mesmo com as projeções de inflação em declínio, o temor em relação a uma nova crise financeira internacional, desencadeada pela China e por uma possível recessão nos Estados Unidos, é um real motivo de preocupação, mesmo o Brasil estando bem mais protegido de crises internacionais do que em outros tempos.
Se levássemos em conta somente os indicadores macroeconômicos, como a persistência de uma taxa de inflação abaixo da meta e a divulgação do PIB de 2007 bastante fraco, a expectativa seria de um corte mais forte, quem sabe de 0,5% ou até maior. Mesmo com inflação baixa e produto interno abaixo das necessidades do País, um corte de maior magnitude na Selic, nesse momento, seria precipitado.
Considero acertada a política monetária adotada, até então, pelo Banco Central. É plausível que a taxa de juros continue caindo, mas não de forma tão contundente como reivindicam vários setores da sociedade. A complexidade da economia mundial desde o início da era da globalização não permite movimentos tão bruscos, sob pena de haver certo descontrole em algum momento.
Ainda não sabemos, de fato, o impacto que a queda de sete pontos nos juros básicos, desde meados de 2005, terá efetivamente sobre o produto em 2007 e em 2008. É preciso usar sintonia fina, daqui em diante, nas próximas ações. O Brasil hoje está muito mais fortificado para atravessar crises econômicas internacionais. Então, que se continue com a política que vem dando tão certo. Nossos indicadores provam isso a cada dia.
Por tudo isso, ao invés de ficarmos usando o retrovisor, que nos mostra PIBs muito fracos no passado, é preciso comemorarmos a menor taxa de juros de todos os tempos e usarmos a lanterna para projetarmos um futuro promissor para a economia deste país, que nunca apresentou um embasamento tão forte para crescer durante longos anos. Mais uma vez, dou crédito à equipe econômica desse governo e convoco a sociedade a seguir coesa na obtenção de um crescimento econômico maior nos próximos anos, que permita empregar mais brasileiros e elevar o padrão de vida da nossa sociedade como um todo.
Chega de soluções mágicas que nunca promoveram avanços sociais duradouros. Precisamos apostar numa política econômica construída dia após dia, com muito trabalho e seriedade.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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