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Comentarista: Cláudio Boriola
Mulher – 08 de março: há motivos para comemorar?

Dores, sentimentos, coração apertado. As lágrimas que rolam pela face de uma mulher retratam a triste realidade do nosso Brasil. Marcas que muitas vezes ficam escondidas por trás de uma maquiagem ou uma peça de roupa. Sentimentos internos que sufocam a alma. No país, embora o sexo frágil tenha conseguido ocupar seu espaço no mercado, infelizmente está bem longe sua conquista perante a liberdade.

A cada 15 segundos, uma mulher é agredida ou espancada. Estima-se que, por ano, 2,1 milhões de brasileiras sejam vítimas de violência, praticada em 70% dos casos pelo próprio marido ou companheiro, dentro de casa. É lamentável sabermos que ainda vivemos com essa estatística. Se por um lado a mulher têm dominado, por outro têm se omitido.

São 9 meses o tempo em que uma mãe carinhosamente espera para dar a luz a uma linda criança, uma dádiva de Deus. Um filho que, por ironia do destino, pode vir a cometer delitos quando crescido. O mesmo filho gerado dentro do ventre de sua mãe, pode este ser um verdadeiro agressor contra a própria mulher. Por que isso acontece? Seria falta de ensinamento da própria mulher? É difícil encontrarmos uma resposta! Mas, o que podemos ter certeza é que a educação não depende apenas ou simplesmente da mãe. Hoje, vivemos numa sociedade egoísta, extremamente machista. Guerras, ganâncias, falta de amor. O Brasil atualmente vive no seu momento de crise, embora a mulher tenha sido vítima durante muito tempo.

Nota-se a falta de leis mais severas contra os agressores. Aliás, leis existem, mas, infelizmente não são cumpridas. Vistas grossas são sempre encontradas por aí. Autoridades cruzam os braços perante os conflitos. A violência contra a mulher muitas vezes praticada dentro do próprio lar acaba tornando-se invisível, o que impede a busca de socorro. O medo e a insegurança de ter que conviver ao lado do agressor tem deixado-a de mãos atadas.

Além das conseqüências físicas e psicológicas que acarreta à mulher, a violência de gênero traz custos ao país da ordem de 10,5% do Produto Interno Bruto, distribuídos entre gastos diretos e indiretos, segundo pesquisas.Se há de fato este gasto, onde estão os resultados? Por que não são visíveis? Até pouco tempo, cometer um crime contra a mulher tinha como resultado simplesmente a distribuição de “cestas básicas”, ao invés de cadeia. Em muitos casos, a violência contra a mulher era titulada apenas como lesão corporal leve, onde a pena para este tipo de crime não ultrapassava a 365 dias, ou seja, um ano. Embora a lei existisse, o ato de “oferecer a tal cestinha”, acabava deixando o machão pronto para outra.

No ano passado, porém, entrou em vigor a Lei Nº 11.340, de 10 de agosto de 2006. Denominada “Maria da Penha”, visa combater com mais rigor a violência contra a mulher. Mas, mesmo com a criação, percebe-se que os crimes continuam, uma vez que os noticiários mostram e comprovam todos os dias. Diante dessa real situação, definimos como uma “vergonha” tais acontecimentos. Quando teremos dignidade, respeito e igualdade no Brasil? Neste dia 08/03, fica em nossa mente o quanto poderíamos viver em paz e harmonia!

Revisão e edição: Renata Appel


Consultor Financeiro, Conferencista, Especialista em Economia Doméstica e Direitos do Consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito – Editora Mundial e do Projeto para inclusão da disciplina "Educação Financeira nas Escolas".  
e-mail do autor: claudioboriola@boriola.com.br
 
 

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