Mudanças, sim, mas com responsabilidade
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Toda mudança, desde que bem planejada, é bem vinda. Mas algumas precisam de uma dose a mais de cuidados e responsabilidades. Seja para quem ainda está escolhendo a sua profissão ou para quem já está exercendo-a, é difícil aliar o que se gosta de fazer com o retorno financeiro. Ainda hoje não são raros os casos de adolescentes que se vêem obrigados a seguir a carreira dos pais, pela tradição ou posição consolidada deles na profissão, o que ajuda bastante na entrada no mercado de trabalho.
Uma pesquisa divulgada pelo Observatório Universitário afirma que profissionais entre 30 e 49 anos que atuam na região Centro Oeste têm os maiores salários do País (R$ 2 mil, em média). Em seguida, vem a média da região Sudeste, de R$ 1.700. Os profissionais pesquisados atuam nas áreas de Engenharia, Direito, Administração, Comunicação, Ciências Contábeis e Letras e a média cai até o seu valor mínimo, R$ 1.400, na região nordeste.
Mas nem só o retorno financeiro importa! O quesito vocação deve ser levado bastante a sério, independente da profissão escolhida ter ou não um bom e rápido retorno financeiro. Dificuldades também devem ser analisadas, como no caso, por exemplo, da Medicina. Apesar de ser uma das ocupações mais bem pagas, acaba tomando muito tempo do dia e da vida pessoal do médico, que até conseguir trabalhar somente na tranqüilidade de seu consultório tem de fazer muitos plantões de 12 e até de 24 horas. Sem contar o estudo, que dura no mínimo 6 anos e nunca pára. Essa é uma das profissões que a gente tem em mente que nunca ninguém vai largar, é para vida toda.
Mas não são apenas engenheiros e advogados que largam suas profissões a troco da administração de um negócio próprio ou simplesmente mudam de área. Na Medicina isso também acontece, como no caso de um médico que conheci em São Paulo. Ele trabalhava num dos maiores hospitais do Brasil, como clínico geral e cardiologista. Apesar de gostar da profissão, nos últimos 4 anos ele se viu indo ao hospital todos os dias, sem respeitar final de semana ou feriado. Ficou distante da família e já não conseguia mais passear com os filhos pequenos. Então, resolveu tomar uma decisão: largou a Medicina! Hoje, administra uma empresa do pai e tem os finais de semana e feriados livres, dando mais tempo e atenção para a família. Outra forma de abandonar a medicina do dia a dia, dos pronto-socorros e enfermarias, é atuar na área administrativa, de auditoria. Também se consegue mais tempo livre, sem os intermináveis plantões.
Financeiramente, podem até não ser escolhas aconselháveis. Mas nem só de finanças vive o homem. Planejando e examinando os prós e contras, todas as mudanças são bem vindas. Se o resultado final for uma melhoria na vida pessoal e no relacionamento familiar e a diminuição na renda não for comprometer o pagamento dos compromissos, tome coragem e dê um novo rumo à sua vida.
Revisão e edição: Renata Appel
Consultor Financeiro, Conferencista, Especialista em Economia Doméstica e Direitos do Consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito – Editora Mundial e do Projeto para inclusão da disciplina "Educação Financeira nas Escolas".
e-mail do autor:
claudioboriola@boriola.com.br
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