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Comentarista: Istvan Kasznar
Mercado de crédito: transição e crescimento

A estabilidade econômica brasileira foi aperfeiçoada ao longo de 4 anos sacrificados, entre 2003 e 2006. Durante este quadriênio, foi preciso adotar medidas duras, que minimizaram o crescimento real do PIB, lançaram as taxas de juros e a carga fiscal a níveis exorbitantes e provocaram desemprego e empregos de baixa remuneração. Em compensação, em fins de 2006, obteve-se uma taxa de inflação baixa, que é benéfica a toda a população, próxima dos 3,2% e reservas internacionais elevadas, de US$ 78 bilhões.

Um dos fatores determinantes para a redução de sacrifícios e mal-estares gerados pela política contencionista monetária e fiscal dos anos 2003 e 2004, sobretudo, e que favoreceu a população em geral, foi a adoção maciça de novas medidas de política de crédito, que inovaram o mercado da pessoa física e geraram alta satisfação. As taxas de juros mensais no crediário chegaram a 11%, inibindo o consumo e criando um perigoso grupo de superendividados, não porque quisessem endividar-se, mas porque seus rendimentos e capacitações financeiras não acompanharam a súbita alta das taxas.

Numerosos consumidores viviam pendurados no cheque especial. Quando, em setembro de 2003 estendeu-se o crédito consignado aos trabalhadores atuantes na iniciativa privada, criou-se uma medida democratizante na oferta de crédito. Esta novidade pegou e mudou profundamente as práticas de crédito. Os juros começaram a cair; multiplicaram-se os sorteios de prêmios; o dinheiro para a população de renda entre 3 e 10 salários mínimos começou a se ampliar e os prazos de pagamento e quitação tornaram-se mais atraentes.

O crédito consignado democratizado deu ao consumidor inúmeras oportunidades de aplicação e gestão financeira, antes dormitando no limbo ou efetivados timidamente. Entre essas novas vantagens, merecem consideração o fato de que os trabalhadores e aposentados pegaram o crédito consignado, que é mais barato, e quitaram dívidas que eram mais caras. Neste sentido, fizeram um swap de passivos e se hedgearam contra custos mais altos. Ademais, com menor inflação, passaram a ver melhor suas condições futuras de pagamento e compraram para consumir mais e melhor.

Naturalmente, existem boas razões para que a taxa do consignado seja tão baixa e atraente. Como as financeiras e os bancos descontam as prestações direto sobre os salários e as pensões, o recebimento é assegurado. Logo, a taxa de inadimplência e a possibilidade de calotes é muito mais baixa. A certeza do recebimento e da quitação das dívidas permite que o prêmio do risco de não recebíveis bancários caia, e isto faculta ao sistema de crédito a oferta de dinheiro mais barato.

Atualmente, o crédito consignado é um produto vital e estratégico para financeiras e bancos. Trata-se da modalidade que mais cresce. E é bem possível que a demanda excitada em expansão mais do que compense a queda das taxas de juros. Ou seja, os ofertantes de crédito ganharão mais no volume de crédito do que apenas na taxa. Isto é saudável para o Brasil, o mercado financeiro e o público consumidor. Todos ganham.

Outra medida inovadora e na mesma linha foi adotada no dia 12/09/06, que oferece modalidades diferenciadas de empréstimos para a casa própria com desconto feito em folha de pagamento. Este é o crédito consignado de financiamento a imóveis residenciais, permitido a servidores públicos e trabalhadores ativos da iniciativa privada. Quem tomar, na qualidade de mutuário, poderá comprometer até 30% de seu salário nas prestações e optará por valores fixos ou variáveis. No caso de ocorrer a perda de emprego, o que reduz a renda e cria um risco de despoupança alto, o mutuário poderá utilizar parte do valor da rescisão para reduzir a sua dívida, cujo teto também é de 30%.

Uma 3ª medida de bom teor é a liberação de mais recursos para a produção de material de construção civil e o financiamento habitacional. Em que pese estas medidas ainda não atenderem à verdadeira base da pirâmide de renda, àquela população pobre mesmo, que só ganha abaixo de 3 salários mínimos, elas se dirigem corretamente à base dos mais necessitados. Uma boa medida complementar é a possibilidade de se ampliar o sistema à reforma das residências e à compra de materiais de construção.

As taxas de juros reais ainda são elevadas no Brasil. Há espaço para que elas caiam. Elas tenderam ao longo de 2006 na direção certa, continuaram cedendo. Neste ambiente mais saudável, o volume de crédito na economia alcançou R$ 668,72 bilhões em julho de 2006, o equivalente a 32,68% do PIB, o maior valor desde maio de 2001. O potencial de expansão do mercado de crédito com a queda das taxas de juros é imenso. Estima-se que o endividamento possa evoluir, sem maiores percalços e riscos sistêmicos, a 40% do PIB.

Este ambiente explica porque se acredita que, na esteira do crédito consignado, da diminuição da taxa de juros e da despencada da inflação, o volume de crédito destinado a pessoas físicas deverá superar o crédito às empresas. Isto ocorrerá, pela 1ª vez na história, este ano. Vale lembrar que em 2000 o empréstimo ao consumidor era de R$ 54 bilhões enquanto as empresas tomavam R$ 102 bilhões ou 88,88% a mais de recursos. No ano passado, o volume de credito quase se igualou entre as duas categorias: R$ 239 bilhões para indivíduos e R$ 247 bilhões para empresas. Mas, como as micro e pequenas empresas não se beneficiaram tanto do avanço de crédito e tiveram a consolidação de seus impostos mais uma vez adiada para o 2º semestre de 2007, seus sonhos de expansão e formação de poupança, gerador de maiores margens de lucro e maior coragem para tomar créditos foi, mais uma vez, adiado.

Estes fatos explicam porque os bancos e as financeiras estão dando atenção crescente, com serviços qualificados, à pessoa física. O crédito às pessoas físicas aumentou 23,43% até agosto de 2006, em 12 meses. Entre as diversas medidas adotadas pelo mercado de crédito e que se fazem sentir, merecem atenção o uso de critérios de análise de crédito mais velozes e flexíveis; o maior financiamento de bens, serviços e impostos; a facilitação de operações para clientes e não-clientes; o aumento do prazo de carência para veículos com 62 dias para começar a pagar; a expansão do crédito especial para compras de presentes no Dia das Crianças e no Natal, com desconto progressivo a partir da 7ª parcela; a pré-aprovação de linhas de crédito com base na renda do cliente; a contratação em agências ou direto em caixas eletrônicos, por internet e telefone e a abolição da figura do avalista. O estímulo ao crédito é salutar, contanto que ofertante e tomador adotem medidas cautelosas para evitar perdas advindas de endividamentos excessivos e incapacidade de pagar.

Revisão e edição: Renata Appel


Presidente da Institutional Business, Economista e Conselheiro Econômico de diversas entidades, dentre Secif-RJ, ACREFI, Instituto Danneman e FEBRAFARMA.  
e-mail do autor: Istvan@ibci.com.br
 
 

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