PAC não influencia Copom
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Quem apostar que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) será influenciado pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que acaba de ser lançado pelo Governo Federal, vai perder a aposta. É sempre importante ressaltar que o Copom só tem uma tarefa, uma única tarefa, que é a de defender a moeda. O Copom precisa garantir o cumprimento da meta de inflação, fixada ano a ano pelo Ministério da Fazenda. Se não cumprir esse objetivo, terá fracassado.
Que não se espere então do colegiado, uma queda forte da taxa Selic. Qualquer ação do governo na busca de um crescimento sustentável, em torno de 5% ao ano, depende, sobretudo, do rígido controle da inflação. Como sempre enfatizava o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, nunca ficou provado que um pouquinho mais de inflação garantiria mais crescimento. Pelo contrário. É inevitável que, nas próximas reuniões do Copom, a queda na taxa tenda a ser menor, estabilizando-se na casa dos 11% ao ano. Enquanto a dívida pública interna em relação ao PIB não diminuir fortemente e a carga tributária for tão alta, não será possível termos taxas menores. Mas, sem dúvida, ao alcançarmos os 11%, já estaremos trabalhando com juros reais em torno de 7% ao ano, o que já é um grande avanço.
Revisão e edição: Renata Appel
Presidente do Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, Vice-Presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e Diretor da ASB Financeira
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