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Comentarista: Cláudio Boriola
Olha o aumento do álcool aí, gente!

O carnaval ainda está longe, mas o desfile de notícias sobre aumentos já começou. E vem a todo vapor!

No quesito “surpresa desagradável”, tivemos logo no comecinho de 2007 a notícia sobre o aumento do álcool em todo o Brasil. Na verdade, esse movimento de subida começou em dezembro, início do período anual de entressafra da cana de açúcar na região Centro-Sul, que termina somente em março. Em cidades como Maceió, por exemplo, é possível achar o combustível com preços que variam de R$ 1,69 a R$ 1,89. Isso porque no Nordeste agora acontece o período de safra, o que segura um pouco o nível de aumento na região. Em Mato Grosso, por exemplo, o litro de álcool chega a R$ 2,10 na cidade de Lucas do Rio Verde para pagamento a vista, um verdadeiro absurdo para o bolso do consumidor mato-grossense. Já em São Paulo, o valor do litro do álcool chega a R$ 1,41, constituindo um aumento de 11% apenas em 15 dias. Na região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, região composta por várias usinas, os preços na última semana de dezembro/2006 eram praticados em média por R$ 1,19. Com a nova onda de aumento, os preços chegam a R$ 1,39, que representa 17%. Todos esses aumentos causam um impacto avassalador no bolso do consumidor.

O Governo Federal tenta frear o aumento, mas não toma nenhuma medida mais firme nesse sentido, até parece falta de interesse em intervir e tabelar o preço nessas épocas. Começa aquele jogo de empurra-empurra para saber quem é o culpado pela subida do preço ao consumidor final. O Governo ameaça os produtores de diminuir a quantidade de álcool a ser misturado à gasolina, o que diminuiria consideravelmente seu consumo. Como resposta, os produtores dizem que seu produto atende ao regime de livre mercado desde 1990, e sobe ou desce de acordo com a demanda (produção versus consumo). Dizem também que foi apenas um “susto” e que devido à acomodação do mercado, a situação deve voltar ao normal rapidamente.

A situação não é inédita. No início de 2006, o Brasil também assistiu a esse aumento e também a esse mesmo bate boca entre o Governo Federal e os produtores. Na época, a solução foi diminuir de 25% para 20% a taxa de álcool misturada à gasolina. A sugestão dos usineiros foi a criação de um estoque regulador, que colocaria mais álcool no mercado no período de entressafra e evitaria o aumento de preços. A idéia foi vetada, mas nenhuma sugestão apresentada para substituí-la, e com isso quem acaba pagando o alto preço é o consumidor.

Em 2006, a grande vilã do setor de combustíveis foi a gasolina. Um estudo feito pela Agência Autoinforme mostrou que ficou 3,8% mais caro manter um automóvel na Grande São Paulo no ano de 2006. Na pesquisa, a agência se utilizou da variação de custo de 50 itens essenciais para se manter um carro em casa. A gasolina acumulou um aumento de 2,44%, enquanto o álcool teve uma queda de 2,84%. Mas com um detalhe: nesse mesmo período de 2006 (de janeiro a fevereiro) o álcool teve um aumento de 23%, tendo o seu preço normalizado e diminuído somente de abril em diante.

Mesmo com a grande procura pelos carros flex, que funcionam tanto com álcool quanto com gasolina, ou uma mistura dos dois, o combustível derivado do petróleo ainda é o responsável por 50% dos custos de um automóvel, o que confirma sua importância. Pelo andar, ou melhor, desfilar dessa escola, essas mudanças de preço ainda vão dar samba. Só que, infelizmente, quem vai dar uma de pierrot e ficar chorando no final do baile pelo aumento do álcool seremos nós. Que tal o consumidor diminuir o consumo do nosso rico petróleo? Agindo dessa forma, será que os preços não serão achatados? Essas alternativas devem ser colocadas em práticas por todos os consumidores inteligentes para sairmos do anonimato.

Revisão e edição: Renata Appel


Consultor Financeiro, Conferencista, Especialista em Economia Doméstica e Direitos do Consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito – Editora Mundial e do Projeto para inclusão da disciplina "Educação Financeira nas Escolas".  
e-mail do autor: claudioboriola@boriola.com.br
 
 

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