Consumidor RS
Siga:
AGORA
Programa Consumido RS de 29/09/2026 na RSPLAY Canal 524 da Claro TV Fim das bets contextualiza como vício em jogos é questão de saúde pública CONGREGARH debate futuro do trabalho, IA, liderança e relações humanas Banricard passa a operar com bandeira Elo, ampliando aceitação dos cartões Alimentação e Refeição AGERGS abre consulta pública sobre regras para infrações e sanções em concessões rodoviárias Sesc Mesa Brasil mobiliza toneladas de alimentos para famílias atingidas por temporal em Santiago e Alegrete Com inscrições abertas, Maratona Internacional de Porto Alegre 2027 reafirma compromisso com excelência Hospital Sapiranga recebe Prêmio Maturidade de Gestão na Saúde 2026
Notícias

Fim das bets contextualiza como vício em jogos é questão de saúde pública

Transtorno associado às apostas pode provocar impactos financeiros, familiares e emocionais

02/10/2026 Ícaro Ambrósio Fonte: Assessoria de Imprensa
Fim das bets contextualiza como vício em jogos é questão de saúde pública
Foto: Divulgação

O fim das bets, determinado pelo governo federal, recoloca no centro do debate um problema que não desaparece com o encerramento das plataformas, a ludopatia. Ao assinar, em 25 de setembro, a medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país, o governo classificou os impactos do vício em jogos como uma questão de saúde pública. A partir da proibição, surge outro desafio. O de garantir atendimento e acompanhamento às pessoas que já desenvolveram uma relação compulsiva com as apostas e que podem continuar necessitando de tratamento mesmo após o fim das plataformas legais.

No Brasil, o próprio Ministério da Saúde passou a tratar o jogo patológico como uma questão de saúde, destacando que a dificuldade de controlar o impulso de apostar pode provocar prejuízos financeiros, familiares, profissionais e emocionais. A questão ganha dimensão ainda maior diante da quantidade de brasileiros expostos às plataformas de apostas. 

Para o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito público e direito de saúde, diretor Ferreira Cruz Advogados e membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG, o reconhecimento da ludopatia como transtorno exige que o debate avance para além da fiscalização das plataformas. "Quando a compulsão pelo jogo passa a comprometer a vida financeira, profissional, familiar e emocional do indivíduo, estamos diante de uma questão de saúde que demanda diagnóstico e tratamento. Não se trata apenas de impedir que a pessoa aposte, mas de oferecer condições para que ela consiga interromper o comportamento e reconstruir sua rotina", afirma.

Esse entendimento também encontra respaldo na legislação brasileira de saúde mental. A Lei nº 10.216/2001 estabelece, em seu artigo 2º, que pessoas acometidas por transtornos mentais têm direito ao "melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades" e devem ser tratadas com humanidade e respeito, com objetivo de favorecer sua recuperação e reinserção na família, no trabalho e na comunidade. O artigo 3º atribui ao Estado a responsabilidade pelo desenvolvimento da política de saúde mental, pela assistência e pela promoção de ações destinadas a esse público.

A aplicação dessas garantias ao paciente com transtorno do jogo depende, naturalmente, da avaliação clínica e do diagnóstico realizado por profissional habilitado. Isso significa que a existência de perdas financeiras ou o hábito de apostar, isoladamente, não caracteriza ludopatia. O problema aparece quando há perda de controle e persistência do comportamento apesar dos prejuízos, critérios descritos pela OMS na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). A legislação também prevê que o tratamento em saúde mental seja estruturado para oferecer assistência integral e, preferencialmente, ocorra em serviços comunitários.

"Esse cenário impõe ao poder público um desafio que envolve prevenção, diagnóstico e acompanhamento, especialmente porque os efeitos da compulsão podem atingir não apenas o apostador, mas também familiares e outras pessoas de seu círculo social. "A legislação não permite que o paciente seja simplesmente responsabilizado pelos efeitos de um transtorno sem que exista uma perspectiva de cuidado. Ao mesmo tempo em que o Estado precisa atuar na prevenção e na estruturação da assistência, é necessário que a família e os profissionais de saúde reconheçam os sinais e busquem atendimento antes que o quadro produza consequências ainda mais graves", afirma o advogado.

A discussão sobre as apostas, portanto, não termina na regulação das plataformas ou na restrição do acesso aos jogos. A própria legislação que regulamentou as apostas de quota fixa estabeleceu, entre seus princípios, a prevenção aos transtornos do jogo patológico e medidas de jogo responsável. O avanço da ludopatia coloca em evidência a necessidade de integrar políticas de regulação, informação e saúde mental, de modo que pessoas que desenvolverem o transtorno tenham acesso ao cuidado previsto pela legislação e não sejam tratadas apenas como consumidoras que perderam dinheiro.

Compartilhar: Facebook WhatsApp
Mais Notícias Ver todas »
TV Consumidor Ver todos »
Programa Consumido RS de 29/09/2026 na RSPLAY Canal 524 da Claro TV 06/10/2026
Programa Consumido RS de 28/07/2026 na RSPLAY Canal 524 da Claro TV 30/07/2026
Programa Consumidor RS de 21/07/2026 na RSPLAY Canal 524 da Claro TV 26/07/2026
Programa Consumidor RS de 14/07/2026 na RSPLAY Canal 524 da Claro TV 16/07/2026
Parceiros
Seções
TV Consumidor RS Play TOP Consumidor Notícias Recomendamos