Health Meeting: saúde avança da cultura da acreditação para uma gestão orientada por qualidade, tecnologia e resultados
Segundo dia da feira debateu evolução dos processos de qualidade, uso de inteligência artificial e digitalização da assistência em Porto Alegre
A transformação da qualidade em saúde passa pela incorporação de uma cultura de melhoria contínua, mas também pelo uso estratégico da tecnologia para qualificar a assistência e ampliar a experiência do paciente. Esses foram alguns dos principais temas do segundo dia de programação do Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA 2026, realizado nesta quarta-feira (23), no Centro de Eventos da Fiergs, que reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir desde o futuro da acreditação até a aplicação da inteligência artificial e a digitalização da saúde pública de Porto Alegre.
No 1º Fórum de Qualidade e Excelência em Saúde, realizado durante toda a manhã, o debate apontou uma mudança na forma como hospitais e demais organizações devem encarar a acreditação. Em vez de uma avaliação pontual, a tendência é consolidar um processo permanente, integrado à estratégia, à assistência e aos resultados.
A perspectiva internacional foi apresentada pelo médico Somporn Kumphong, CEO da American Accreditation Commission International (AACI) para a região da Ásia-Pacífico. Ao projetar a acreditação para 2030, ele apontou uma mudança no papel do avaliador, que deverá atuar menos como fiscal e mais como mentor e parceiro da organização. “O avaliador de 2030 é um mentor e um colega. Alguém que fortalece a organização, não apenas um policial”, destacou. Para Kumphong, o principal símbolo dessa transformação não será apenas o certificado na parede, mas a confiança construída pela organização.
Qualidade integrada à estratégia
De acordo com Admilson Reis, superintendente de Riscos, Qualidade e Responsabilidade Social do Hospital Moinhos de Vento, essa mudança exige que a qualidade esteja incorporada à estratégia e à agenda da alta liderança. “O investimento é o meio, a reputação é a consequência, e a qualidade é a estratégia em si própria”, ressaltou.
Na assistência, o desafio é fazer com que os padrões se traduzam em experiências concretas para quem recebe o cuidado. Gisele Piccolli, coordenadora Assistencial do Grupo DOC, destacou que a qualidade precisa ser percebida pelo paciente, e não apenas registrada em indicadores e documentos. “A qualidade não é apenas um dado, não é apenas um relatório que eu entrego no final do mês. Tem de ser algo que o paciente sinta lá na ponta”, disse.
A discussão também chegou à eficiência no uso dos recursos. Graccho Alvim Neto, vice-presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), chamou atenção para a relação entre desperdício, sustentabilidade e resultados assistenciais. “O desperdício não é a sobra; é o recurso que não se transformou em saúde”, pontuou.
A acreditação, segundo Brasil Silva Neto, diretor-presidente do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, também precisa ser incorporada à governança e não tratada como uma atribuição exclusiva das equipes de qualidade. José Floriani, vice-presidente do Grupo DOC e secretário-executivo da Associação Nacional das Empresas de Serviços Médicos, reforçou que essa cultura deve alcançar profissionais e empresas envolvidos na assistência. “A acreditação não é um destino final, mas sim uma forma contínua de atuar”, afirmou.
Tecnologia aplicada à assistência
Se o debate sobre qualidade apontou a necessidade de transformar processos e resultados, o painel “Inteligência Artificial na Saúde”, no 4º Fórum de Inovação, apresentou exemplos de como a tecnologia já está alterando a rotina da assistência, inclusive na rede pública de Porto Alegre. O secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, destacou a digitalização do sistema e a integração dos dados dos pacientes, com o objetivo de eliminar a fragmentação das informações. “O rádio se foi, o videocassete se foi, o papel também se foi. Se a gente não inovar, vamos continuar fazendo mais do mesmo”, afirmou.
Segundo o secretário, a digitalização também já alcança diretamente os usuários. O aplicativo 156+POA, da capital gaúcha, registra mais de 200 mil acessos mensais e terá, como próxima etapa, recursos de comando de voz voltados especialmente à população com mais de 60 anos. A estratégia, segundo a Prefeitura, busca ampliar o acesso e utilizar a tecnologia para atuar de forma mais preventiva na saúde.
A inteligência artificial aparece como ferramenta de apoio aos profissionais, e não como substituta da decisão médica. Thiago Xavier Ribeiro, da Companhia de Processamento de Porto Alegre (Procempa), citou aplicações em áreas como análise de mamografias e identificação de lesões de pele. “A visão da inteligência artificial é que ela tem que ser um apoio médico, uma ferramenta à disposição do profissional na tomada de decisão”, explicou.
Simulação de cirurgia de fígado
O Hospital do Amanhã, espaço promovido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, está apresentando nesta edição da Health Meeting o futuro da jornada do paciente oncológico. Com tecnologias inovadoras, como uma máquina de sequenciamento genético, o ambiente também tem uma ampla programação de palestras. Na manhã desta quarta, um dos destaques foi um painel com Leandro Scafaro, supervisor da unidade de Radiologia Intervencionista da instituição. A atividade contou com a simulação ao vivo de uma ablação de fígado, usando um fígado de boi para demonstrar a técnica no tratamento de tumores hepáticos.
A programação de palestras da feira contou ainda com o 1º Fórum de Longevidade, o 3º Fórum de Tendências em Gestão de Pessoas para as Lideranças da Saúde, a 3ª Jornada de Transição do Cuidado e Desospitalização, a 6ª Jornada de Hotelaria Hospitalar, o 1º Fórum de Pesquisa Clínica, a 11ª Jornada de Farmácia Hospitalar, o 3º Health Law Meeting e o 12º Superdosagem Duo Medlive.
Com programação até quinta-feira (24), a quarta Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA deverá ter uma circulação de 25 mil pessoas ao longo dos três dias, reunindo mais de 400 marcas expositoras, 48 startups e mais de 30 congressos simultâneos. A visitação ao espaço de exposições, no Centro de Eventos da FIERGS, é gratuita.
Sobre a feira
A 4ª Health Meeting Brasil / SINDIHOSPA é realizada pela HM Brasil Feiras e Congressos e pelo SINDIHOSPA, com patrocínio da Unimed Porto Alegre, Unicred, Medlive e Sebrae.