Ciência amplia precisão no diagnóstico e personaliza tratamento do câncer de mama
Nas últimas décadas, a combinação entre diagnóstico mais precoce e evolução dos tratamentos contribuiu para melhorar a sobrevida das mulheres com câncer de mama
O câncer de mama deve registrar 78.610 novos casos no Brasil em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). É o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. No Rio Grande do Sul, são estimados 77,91 casos para cada 100 mil mulheres. Nesse cenário, o diagnóstico precoce permanece como um dos principais fatores para ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar a sobrevida.
A ciência, porém, tem ampliado o que significa diagnosticar a doença. Hoje, além de identificar a presença de um tumor, os exames podem ajudar a compreender suas características e indicar caminhos mais adequados para cada paciente. Segundo Susana de Oliveira Elias, docente dos cursos de Biomedicina, Enfermagem e Nutrição da Estácio, esse é um dos principais avanços recentes. "O principal avanço é que o diagnóstico deixou de ser apenas uma resposta simples: é câncer ou não é; e passou a buscar uma caracterização mais ampla: qual é o subtipo, quais alterações moleculares estão presentes, qual é o risco de recorrência e quais terapias podem ser mais eficazes para aquela paciente", explica.
Nesse processo, diferentes ferramentas se complementam. Mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética permitem avaliar a localização e as características estruturais de uma lesão. Testes genéticos podem identificar predisposições hereditárias, enquanto análises moleculares ajudam a compreender a biologia do tumor. A inteligência artificial também vem sendo incorporada à leitura de exames de imagem, como ferramenta de apoio aos profissionais na identificação de padrões sutis.
A combinação dessas informações contribui para o chamado tratamento personalizado. Isso significa que duas pacientes com tumores de tamanho semelhante podem receber condutas diferentes, já que características moleculares e biológicas podem influenciar a escolha da terapia. Biomarcadores, novas tecnologias cirúrgicas, medicamentos específicos e estratégias que atuam sobre o sistema imunológico fazem parte dessa evolução.
Os desafios, entretanto, permanecem. A heterogeneidade dos tumores e a resistência terapêutica podem fazer com que uma doença inicialmente responsiva ao tratamento passe a apresentar novas características. Além disso, o custo e a disponibilidade de tecnologias mais avançadas ainda limitam o acesso de parte das pacientes.
Nas últimas décadas, a combinação entre diagnóstico mais precoce e evolução dos tratamentos contribuiu para melhorar a sobrevida das mulheres com câncer de mama. Para Susana, o avanço também precisa ser medido pela qualidade de vida de quem passa pelo tratamento. "Tratar não é só eliminar o tumor, é preservar a qualidade de vida de quem sobrevive a ele", conclui.