Consumidor RS
Siga:
AGORA
Rede Boulevard comemora Dia das Mães com música, dança e massagem Banrisul adere ao Novo Desenrola Brasil e amplia condições para renegociação de dívidas Matriz cria campanha de Dia das Mães do Grupo Zaffari Banrisul lança promoção que isenta anuidade do cartão de crédito por cinco anos Luiz Carlos Bohn é reeleito presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP CDL POA promove capacitação com Ester Morgan sobre atração e retenção de equipes no varejo GBOEX Qualifica: palestra aborda planejamento financeiro e sucessório Unimed Porto Alegre lança agendamento online de exames de imagem
Notícias

Mercado automotivo gaúcho encerra 2025 com retração moderada

E sinais de reequilíbrio para 2026

14/01/2026 Karen Cunha Fonte: Sincodiv/Fenabrave/RS
Mercado automotivo gaúcho encerra 2025 com retração moderada

O mercado de veículos zero-quilômetro no Rio Grande do Sul encerrou 2025 com 188.074 unidades emplacadas, registrando retração de 4,43% em relação a 2024 (196.798 unidades), segundo levantamento do Sincodiv/Fenabrave-RS. O desempenho reflete um ano de desafios econômicos, impactos no agronegócio e mudanças no perfil de consumo, mas também aponta sinais importantes de reorganização do mercado para 2026.

Somente no mês de dezembro, foram 19.117 emplacamentos, com crescimento de 25,11% sobre novembro, confirmando a sazonalidade positiva do último mês do ano, tradicionalmente impulsionada por campanhas comerciais, renovações de frota e decisões de compra represadas ao longo do exercício.

Análise por segmento – fechamento de 2025

Automóveis – RS 5ª Colocação nas vendas Nacionais

  • Dezembro: 10.407 unidades (+31,25% sobre novembro)
  • Jan–Dez 2025: 96.167 unidades
  • Variação anual: -4,41%

O segmento de automóveis apresentou reação consistente no último trimestre, mas ainda fechou o ano em retração moderada. O comportamento do consumidor foi mais cauteloso em 2025, com decisões de compra postergadas ao longo do ano e retomadas pontuais no segundo semestre. A expectativa da entidade é de estabilização em 2026, com possibilidade de crescimento leve caso o crédito siga disponível.

Comerciais Leves– RS 5ª Colocação nas vendas Nacionais

  • Dezembro: 2.533 unidades (+28,19%)
  • Jan–Dez 2025: 27.284 unidades
  • Variação anual: -9,83%

Os comerciais leves sentiram de forma mais intensa a desaceleração econômica e a retração de investimentos de pequenos e médios empresários, este segmento tem forte desempenho junto ao produtor rural que tem apresentado dificuldades nos últimos anos. Apesar da boa reação em dezembro, o segmento encerra 2025 com queda mais acentuada, refletindo um ano de retração do setor primário.

Caminhões – RS 5ª Colocação nas vendas Nacionais

  • Dezembro: 711 unidades (+16,37%)
  • Jan–Dez 2025: 8.113 unidades
  • Variação anual: -18,32%

O desempenho dos caminhões foi fortemente impactado pelo agronegócio, que teve um ano desafiador no Estado. 

A queda foi mais expressiva nos caminhões pesados e extrapesados, enquanto a linha leve apresentou desempenho relativamente melhor. O Sincodiv/Fenabrave-RS avalia que o mercado não esperava uma retração tão significativa em 2025. Para 2026, a projeção é de primeiro semestre ainda lento, com retomada mais consistente esperada no segundo semestre, especialmente porque muitos transportadores não realizaram compras em 2025, criando demanda reprimida.

Ônibus – RS 7ª Colocação nas vendas Nacionais

  • Dezembro: 98 unidades (+2,08%)
  • Jan–Dez 2025: 1.249 unidades
  • Variação anual: -1,89%

O segmento de ônibus manteve estabilidade ao longo do ano, sustentado por renovações pontuais de frota urbana e escolar. Apesar da leve retração no fechamento anual, o setor apresenta fundamentos positivos e deve seguir como um dos segmentos mais equilibrados em 2026. Anos eleitorais normalmente aquecem o segmento de ônibus.

Motocicletas – RS 19ª Colocação nas vendas Nacionais

  • Dezembro: 3.673 unidades (+15,47%)
  • Jan–Dez 2025: 37.377 unidades
  • Variação anual: +1,10%

Embora tenha fechado o ano com crescimento, o desempenho das motocicletas no RS segue bem abaixo da média nacional, onde o mercado avançou cerca de 17%. Esse comportamento impacta diretamente o posicionamento do Estado no ranking nacional.

Paradoxalmente, o RS possui maior poder aquisitivo médio, mas não apresenta o mesmo nível de adesão às motocicletas como solução de mobilidade e trabalho, o que limita o crescimento do segmento no Estado.

Implementos Rodoviários - – RS 4ª Colocação nas vendas Nacionais

  • Dezembro: 544 unidades (+24,49%)
  • Jan–Dez 2025: 5.752 unidades
  • Variação anual: -19,53%

O setor de implementos rodoviários enfrentou uma das maiores retrações de 2025. A ausência de linhas de crédito específicas comprometeu a renovação de frota. O pacote anunciado de R$ 10 bilhões para renovação, sendo R$ 6 bilhões do Governo Federal e R$ 4 bilhões do BNDES, não contempla o segmento de implementos, o que limita a capacidade de reação.

A entidade avalia que, caso o mercado financeiro apresente soluções adequadas de crédito, o setor pode retomar crescimento, mesmo que inicial e moderado. 

Rio Grande do Sul

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Porto Alegre

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Eletrificados: crescimento estrutural no RS

O mercado de veículos eletrificados encerrou 2025 com 15.578 unidades emplacadas, crescimento expressivo de 67,70% sobre 2024 (9.289 unidades).

Autos e comerciais leves eletrificados:

  • Híbridos: alta de 66,50%
  • Elétricos puros: alta de 69,50%

O avanço dos eletrificados confirma uma tendência estrutural, impulsionada por maior oferta de modelos, ampliação da infraestrutura de recarga e maior conscientização do consumidor.

Em 2025, o Rio Grande do Sul caiu para a 10ª colocação no ranking nacional, ficando atrás de SP, MG, PR, RJ, BA, SC, PE, PA e GO. O principal fator que puxa o Estado para baixo segue sendo o segmento de motocicletas, além da forte retração em caminhões e implementos rodoviários, diretamente ligados ao agronegócio.

Expectativas para 2026

O Sincodiv/Fenabrave-RS avalia que 2026 será um ano de reorganização gradual do mercado, com:

  • Estabilidade em automóveis e comerciais leves, com possibilidade de crescimento de 8%
  • Caminhões com primeiro semestre ainda lento, mas melhora no segundo semestre, projeção de crescimento de 3%.
  • Retomada condicionada de implementos rodoviários, dependente de crédito de 2% de crescimento.
  • Motocicletas como ponto estratégico, com potencial de expansão no Estado de 8%.

Apesar de um ano marcado por desafios econômicos e setoriais, 2025 foi também um ano de conquistas estruturantes para o mercado automotivo do Rio Grande do Sul. O Sincodiv-RS encerra o período com a convicção de que avanços institucionais, regulatórios e operacionais criaram bases mais sólidas para o desenvolvimento do setor a partir de 2026.

Ao longo do ano, o Estado avançou de forma consistente na desburocratização de processos, na redução de entraves tributários e na modernização das relações entre poder público, empresas e consumidores. Medidas como a substituição tributária para peças, a regulamentação da venda de veículos por locadoras após um ano de uso, a primeira iniciativa da CNH Social, o avanço do Renave de Usados e o fim da vistoria de veículos zero quilômetro representam ganhos concretos de eficiência, segurança jurídica e competitividade para toda a cadeia automotiva.

Um marco fundamental foi a aprovação do Projeto de Lei nº 274/2025, que fixa em 12% a alíquota do ICMS incidente sobre veículos novos — elétricos ou a combustão, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. Trata-se de uma medida estruturante, que alinha o Rio Grande do Sul aos estados mais competitivos do país, estimula investimentos, amplia o acesso do consumidor ao veículo novo e fortalece o ambiente de negócios no Estado.

Muitos desses avanços são resultado de diálogo institucional entre nossa entidade e órgão governamentais, uma atuação técnica e construção coletiva, pilares que seguem guiando o trabalho do Sincodiv-RS. A entidade acredita que 2026 será um ano de consolidação, com um mercado mais equilibrado e novas oportunidades de crescimento, especialmente com o amadurecimento do crédito, a retomada gradual do agronegócio e a expansão da mobilidade sustentável.

Compartilhar: Facebook WhatsApp