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Videogame não é 'vilão'
   
     
 


06/04/2022

Videogame não é 'vilão'
Mas pais devem auxiliar no uso saudável e monitorar influência no comportamento das crianças

O controle parental é fundamental para evitar que a relação de adolescentes e crianças com os videogames ultrapasse o limite do saudável. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a classificar o vício em games como doença de saúde mental, o que provocou dúvidas e questionamentos dos pais. Diante deste novo cenário, o tema foi abordado na primeira edição de 2022 do Ciclo de Palestras da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), realizado na noite desta terça-feira (05/04).

Separado em duas palestras, o evento destacou a necessidade do monitoramento dos responsáveis e o atento acompanhamento a qualquer sinal de “descontrole” na relação com os jogos eletrônicos.

"A maioria das crianças não é viciada em games e não sofre deste transtorno. Por isso, a ideia é conversar sempre em como a tela e o videogame atuam sobre elas. A relação entre jogos e crianças não é dicotômica - boa ou ruim - ela passa por diversos fatores”, explicou o neurologista infantil e neurofisiologista clínico, Josemar Marchezan, responsável pelo primeiro painel da noite.

Ainda conforme o neurologista, os games não se tratam de um "gatilho" para comportamentos violentos ou, em casos mais graves, motivação de crimes. Mesmo assim, é possível que alguns jogos banalizem esse tipo de comportamento e provoquem alertas.

"A exposição aos jogos violentos pode tornar comum a violência para a criança e isso deve ser cuidado. É importante que os pais olhem a classificação indicativa e sempre monitorem. No entanto, não é possível dizer que isso o leve a cometer um crime. O que leva a criança a ter uma maior agressividade é o contexto fora do jogo, a vida fora do jogo. O jogo não é um gatilho”, salientou.

Marchezan também deu dicas aos pais de como evitar o uso excessivo e não saudável dos itens.

“O videogame deve ficar em um lugar comum da casa, para que os pais consigam acompanhar e ver desde horas de uso até o jogo que está sendo jogado". Outro ponto importante em seu entendimento, é que, ao sugerir que a criança ou adolescente deixe as telas "de lado", os responsáveis devem oferecer outras oportunidades de diversão.

"Convidar um amigo, jogar tabuleiro, brincar com a criança. Assim, esse momento fora dos games ou das telas se torna prazeroso para eles", finalizou.

O significado da mudança feita pela OMS

Médico psiquiatra, especialista em psiquiatria da infância e adolescência, Daniel Spritzer, apresentou estudos nacionais e internacionais e explicou o significado da mudança feita pela OMS. "Não é para demonizar os games. É preciso entender os motivos que levam as pessoas a jogar. Ninguém joga para ir mal na escola, para ser violento. É por prazer. Quando houver excessos, aí entramos", disse.

Segundo ele, a alteração realizada pelo órgão internacional surge como um alerta para que pais e médicos monitorem as relações entre games e crianças e atuem para que elas não deixem o ambiente saudável.

"A OMS defende que é preciso um padrão de uso e que siga por doze meses. A ideia é justamente o que defendemos aqui, que não se rotule pessoas como viciadas", pontuou. Conforme Spritzer, além da duração e da persistência, para se caracterizar como vício é preciso "obedecer" três critérios: "Perda de controle sobre o jogo, o jogo virar prioridade e, principalmente, tem que ter um prejuízo", enumerou.

O prejuízo, conforme o especialista, se dá inicialmente na esfera escolar, podendo se expandir até o social. "Isolamento e restrição, por exemplo. É importante destacar que é uma via de mão dupla. O uso problemático leva a esses distúrbios - ansiedade, depressão e TDAH - ou esses diagnósticos que provocam o uso problemático? É complexo e visões simplistas e reducionistas atrapalham", pontuou ao finalizar o painel.

Por fim, os dois especialistas responderam às perguntas dos inscritos. O evento, que aconteceu via Sympla, foi uma iniciativa da Associação Médica do Rio Grande do Sul realizada em parceria com a Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS) e com a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS). Também contou com o apoio do Colégio Sinodal Tramandaí e o patrocínio de Ensina Mais Turma da Mônica - Programas Educacionais Unidade Boa Vista e Ludic English Schools.

A programação dos eventos da AMRIGS pode ser conferida no site www.amrigs.org.br/agendas 

Fonte: PlayPress
Autor: Marcelo Matusiak
Revisão e edição: de responsabilidade da fonte
Autor da foto: Evento promovido pela AMRIGS (Divulgação)


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